Pastor Silas Malafaia e o deputado Sóstenes CavalcanteReprodução/ internet

A fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de que "90% dos evangélicos recebem benefícios do governo", gerou críticas da oposição e de líderes religiosos.
O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), afirmou nas redes sociais neste sábado (7) que a esquerda trata os evangélicos como "curral eleitoral".
Segundo ele, a declaração do chefe do Executivo revela uma estratégia de uso da máquina pública para fins eleitorais.
"A fala de Lula escancara a lógica da esquerda: usar o Estado para tentar comprar consciência e tratar evangélicos como curral eleitoral", escreveu no X (antigo Twitter).
No discurso, o presidente mencionou sobre a comunicação dos partidos de esquerda com o eleitorado evangélico."Então o PT precisa ir para a periferia, o PSB tem que ir para a periferia, o PCdoB tem que ir para a periferia e o PDT tem que ir para a periferia. E o povo evangélico? 90% dos evangélicos ganham benefícios do governo. Nós não podemos esperar que um pastor fale bem de nós. Nós temos que ir para lá e conversar", disse Lula.
Sóstenes criticou o conteúdo da declaração e afirmou que o petista reduz a fé e o voto a uma relação utilitarista.
"Reduzir fé a benefício é desprezo. Reduzir voto a barganha é cinismo. Reduzir cidadãos a dependentes é autoritarismo disfarçado", afirmou.
"Quem precisa trocar dinheiro público por voto teme um povo livre, informado e guiado por valores. E a história mostra: quando o povo acorda, a velha política perde", acrescentou.
 
O Pastor Silas Malafaia também criticou o presidente. Nas redes sociais, o líder religioso chamou Lula de "pinóquio" e afirmou que ele "manipula dados".
"Lula, como sempre, é um falastrão mentiroso. Disse hoje que 90% dos evangélicos recebem benefícios do seu governo. É especialista em inflar números para enganar o povo. Um verdadeiro Pinóquio! Manipula dados, exatamente como estão tentando fazer no IBGE, para favorecer esse governo falido", publicou.
Para o deputado estadual Delegado Zucco (Republicanos-RS), o petista "tenta rotular e desqualificar um grupo que já demonstrou, nas ruas e nas urnas, forte oposição ao seu projeto".
"A insatisfação cresce entre cristãos, pessoas de outras religiões e trabalhadores em geral. O país vive um momento de desgaste, e cada vez mais brasileiros mostram que não aceitam os rumos que o Brasil vem tomando", publicou no X.
Além dos políticos, o pastor Franklin Ferreira também reagiu negativamente. Para ele, a declaração é "reveladora e profundamente cínica", por reduzir evangélicos a beneficiários do governo, revelando uma "lógica de poder".
O religioso ainda contesta o raciocínio do presidente, apontando que "o cristianismo nunca foi construído sobre benesses do Estado, mas sobre trabalho, família, igreja local e responsabilidade moral."

"Cristãos não são massa de manobra. E quando o Estado passa a tratar a fé como curral, acaba descobrindo que ainda existem ovelhas que reconhecem outro Pastor", concluiu.