Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central do BrasilAntônio Cruz/Agência Brasil
Segundo Galípolo, o apoio fornece "certeza e tranquilidade" para o trabalho de supervisão, além de ajudar pela experiência de Lula.
"O que essa experiência traz para que a gente consiga desenvolver nosso trabalho é muito importante", destacou o presidente do BC.
Galípolo explicou que a inflação se "comportou melhor" em um ambiente de Selic restritiva do que se esperava, mas que a atividade econômica também se mostra resiliente.
"Temos evidências de mercado de trabalho apertado", ressaltou o presidente do Banco Central.
Ele acrescentou que a política monetária atravessou diferentes momentos. Primeiro, houve a elevação de juros, em um cenário em que as expectativas de inflação "namoravam" com o nível de 6%. Naquela época, a inflação de alimentos chegou perto de 17%, lembrou.
'Parcimônia e cautela'
O presidente do Banco Central reiterou, contudo, a posição de "parcimônia e cautela" na política monetária, para garantir a convergência da inflação à meta. Apesar de ver "melhora" na situação inflacionária, Galípolo destacou que as expectativas acima da meta "incomodam bastante", enquanto os dados ainda indicam uma economia resiliente.
"Esta não é a volta da vitória, porque há dados mostrando resiliência econômica", afirmou o presidente do BC.
Galípolo explicou que os riscos associados à política econômica do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se materializaram, mas não conforme o esperado.
Segundo ele, surgiu um cenário em que há uma "correlação inusitada" em momentos de aversão ao risco, que agora se revela benigna para mercados emergentes. "Isso é contraintuitivo ao que espera", ressaltou.
Neste ambiente, o Brasil é visto "como proteção" para investidores por menor ligação com os Estados Unidos no cenário tarifário, disse Galípolo.
Galípolo observou que é difícil para o investidor escapar de ativos norte-americanos, dada a valorização das ações negociadas em Nova York, puxada pela transformação da inteligência artificial, e por o mercado de títulos públicos norte-americanos ser muito superior a qualquer outro. Porém, pontuou o presidente do BC, esses investimentos em ativos americanos vêm ocorrendo agora com um maior hedge (proteção) contra uma eventual desvalorização do dólar, o que é um cenário favorável a mercados emergentes.
Ele ponderou que a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) mitigou um pouco a aversão ao risco nos mercados, por trazer a percepção de que a condução do banco central norte-americano será técnica e preocupada com o dólar.
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