Primo e Beto Louco negociam há meses um acordo de delação premiadaReprodução

São Paulo e Brasília - O procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, deve decidir na próxima semana se o Ministério Público de São Paulo fecha ou não um acordo de delação premiada com os empresários Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco", e Mohamad Hussein Mourad, o "Primo", foragidos da Operação Carbono Oculto — investigação sobre a escalada do PCC no ramo de postos de combustíveis.
A negociação foi iniciada há alguns meses, mas não há consenso sobre o pacto. Fontes ouvidas pela reportagem dizem que Beto Louco e Primo detêm informações que são "nitroglicerina pura" sobre corrupção em órgãos públicos, passando por governos estaduais e municipais, Congresso e Judiciário.
Procurada, a defesa dos empresários não se manifestou.
Dois motivos contribuem para emperrar a colaboração. De um lado, promotores que atuam em São José do Rio Preto e Piracicaba, interior de São Paulo, exigem dados concretos. Eles não admitem "pressões" externas para acelerar um acordo. De outro, a mais importante eleição do Ministério Público alterou a rotina das Promotorias e Procuradorias.
Paulo Sérgio está afastado das funções, em campanha por sua recondução à cadeira nº 1 da instituição. A eleição ocorre neste sábado, 11. A vitória do atual procurador-geral é apontada como certa. O pleito empurrou para a próxima semana, pelo menos, uma possível decisão sobre a oferta de delação dos empresários que a Carbono Oculto aponta como elos com o "andar de cima" do PCC na Faria Lima.
Beto Louco e Primo negam integrar as fileiras da facção. Eles estão sumidos, mas, por emissários, se dizem dispostos a revelar, "com provas", corrupção de parlamentares, autoridades do Executivo e até de juízes em troca da suspensão da ordem de prisão que pesa sobre eles.