Relatório de Alessandro Vieira pedia impeachment dos magistrados e do PGR por supostos envolvimentos no caso MasterPedro França/Agência Senado
O relator pedia o indiciamento, com encaminhamento para análise de abertura de processo de impeachment, dos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Em nota, Fachin classificou a menção dos colegas como "indevida", registrou sua solidariedade e ressaltou a importância de que a independência dos Três Poderes seja respeitada.
"Desvios de finalidade temática dessas Comissões, todavia, enfraquecem os pilares democráticos e ameaçam os direitos fundamentais de qualquer cidadão", diz o comunicado.
Segundo a nota da Presidência do STF, o tribunal reconhece a atividade das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) "nos limites constitucionais e circunscritas à pertinência temática que deu ensejo à sua criação".
"Este Tribunal está ciente de que cabe a todos respeitar a independência e a autonomia dos Poderes da República, como é da secular tradição de nossas instituições. O Supremo Tribunal Federal reafirma que seguirá firme em sua missão de guardar a Constituição e proteger as liberdades democráticas", afirmou Fachin.
"É preciso por fim imediato a essa sanha de que atacar determinadas instituições dá voto. Atacar instituições é atacar o Estado democrático de direito, é atacar a democracia", acrescentou. As declarações foram feitas na abertura da sessão da Segunda Turma da Corte.
Ao comentar o conteúdo do parecer, Toffoli disse que a iniciativa pode configurar abuso de poder e gerar sanções eleitorais. "Não podemos deixar de nos furtar a cassar eleitoralmente aqueles que abusaram, atacando as instituições, para obter voto e conspurcar o voto do eleitor. Porque é disso que se trata, quando surge um relatório aventureiro desse. É tentativa de obter votos", afirmou.
O ministro também classificou o documento como "completamente infundado", sem base jurídica ou sustentação em fatos.
Para Gilmar, o relator Alessandro Vieira, delegado de carreira, "se esqueceu dos seus colegas milicianos e decidiu envolver o Supremo Tribunal Federal por ter concedido um habeas corpus".
O ministro do STF Flávio Dino, que não é citado pela CPI, saiu em defesa da Corte pelas redes sociais. Em post no Instagram, ele classificou como um "imenso erro" tratar o Supremo como o principal problema do País e criticou o fato de o relatório não apontar nomes diretamente ligados ao crime organizado.
O relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou que o procurador-geral é "patentemente desidioso no cumprimento de suas atribuições".
"A inércia do PGR contrasta frontalmente com a atuação proativa da Polícia Federal, que produziu relatórios circunstanciados, deflagrou operações e executou prisões no curso das mesmas investigações, evidenciando que a paralisia não decorreu de insuficiência probatória, mas de decisão deliberada do chefe do Ministério Público Federal de não exercer as atribuições que a Constituição lhe confere com exclusividade", acusa Vieira.
A entidade que representa os procuradores rebateu as conclusões e afirmou que "não há qualquer cenário de omissão institucional" por parte do PGR e que "as investigações mencionadas seguem em regular andamento no âmbito da Polícia Federal".
Para os procuradores, "o acompanhamento atento dessas diligências em curso pela Procuradoria-Geral da República constitui etapa necessária para a formação de sua opinio delicti", ou seja, de sua convicção sobre a existência ou não de crimes.
O relatório da CPI afirma que "no presente caso, o procurador-geral da República tinha acesso, ao longo do período investigado, às seguintes informações, entre diversas outras: (a) o relatório da Polícia Federal entregue ao ministro Fachin em 9 de fevereiro de 2026, documentando a relação de Toffoli com operador do investigado sob sua relatoria; (b) as reportagens amplamente divulgadas sobre o contrato do escritório da esposa de Alexandre de Moraes com o Banco Master, no valor de R$ 129 milhões; (c) as notícias sobre a interlocução de Moraes junto ao Banco Central durante o processo regulatório sobre o Banco Master; e (d) os resultados das operações da Polícia Federal, incluindo a prisão de Fabiano Zettel".
Em defesa do procurador-geral, seus colegas, por meio da entidade de classe, afirmam que "o exercício da titularidade privativa da ação penal - se for o caso - somente pode ocorrer no momento processual adequado", com base em "elementos oficiais de prova colhidos pela Polícia Judiciária".
A ANPR destacou que "o agir do procurador-geral da República deve orientar-se pela cautela" e que essa conduta "impede a adoção de medidas intempestivas".
Os procuradores classificam as conclusões da CPI como "precipitadas e desprovidas de fundamento".
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