Nome de Jorge Messias foi rejeitado com 42 votos contrários e 34 votos favoráveis Lula Marques/Agência Brasil

Após o Senado rejeitar, na quarta-feira (29), a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), aliados do governo Lula reagiram com críticas à oposição e a setores do Congresso. A votação, encerrada em 42 votos contrários e 34 favoráveis, foi classificada como resultado de articulações políticas e pressões eleitorais.
A deputada federal e ex-ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), afirmou que a rejeição do nome de Jorge Messias para o STF foi resultado de uma "aliança vergonhosa" no Senado.
Em publicação nas redes sociais, Gleisi disse que os 42 votos contrários à indicação representaram mais do que uma derrota individual do advogado-geral da União.
"Mais do que uma injustiça contra Jorge Messias, privaram o país de uma pessoa muito qualificada para ser ministro do STF", escreveu.
A parlamentar também afirmou que houve um "grande acordão" envolvendo a oposição bolsonarista e outros grupos com "objetivos eleitoreiros e pessoais dos que se sentem ameaçados pelas investigações de escândalos financeiros e contra o crime organizado".
Segundo a deputada, a mesma maioria pode atuar para derrubar veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao projeto de lei da dosimetria. O veto está marcado para ser analisado nesta quinta-feira (30), em sessão conjunta da Câmara e do Senado.

A oposição e parte do Centrão defendem derrubar o veto de Lula para que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros condenados pela trama golpista tenham as penas revisadas e reduzidas.
O relator da indicação Messias ao Supremo, Weverton Rocha (PDT-MA), classificou a decisão do Senado de rejeitar o candidato ao Judiciário como "uma injustiça enorme" e afirmou que o presidente não pretende indicar outro nome.

"É óbvio que é uma derrota para o governo", declarou o relator. "Impuseram uma derrota a uma pessoa que nada tinha a ver com o processo eleitoral", continuou. "Lula já tinha dito que não teria outro nome."

O senador Otto Alencar (PSD-BA), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), também comentou a derrota e disse que respeita o direito do voto da oposição, mas afirmou que considera Messias um "brilhante" funcionário público. "Lamento muito, mas é página virada."
O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que vai continuar "a mesma relação" do Palácio do Planalto com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

"Nós tivemos derrotas muito graves durante esses três, quatro anos e a relação do presidente da República com o presidente da Câmara e com o presidente do Senado não mudou e dessa forma, não mudará. É a mesma relação institucional", minimizou Randolfe.

O líder do governo ainda afirmou que o presidente do Senado aguardou o voto de todos os senadores para fechar o painel de votação.
"Não posso atribuir qualquer resultado à posição e à postura do presidente do Congresso". E disse que uma votação apertada na indicação de Messias já era esperada, logo, o resultado negativo não foi uma surpresa.
A indicação de Messias foi mal recebida por Alcolumbre, que preferia para a vaga o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Indagado sobre a identificação de possíveis traições de integrantes de partidos da base, Randolfe respondeu que o governo não irá transformar a rejeição de Messias em uma "caça às bruxas". "Ninguém vai ficar perdendo tempo procurando saber como votou cada senador", disse.

Ele sustentou que "não existe crise enorme" no governo e considerou que esta foi uma circunstância de derrota natural do jogo político. E voltou a dizer que houve interferência de questões eleitorais na votação.
"Nós estamos no mês de maio, praticamente, a alguns meses da eleição presidencial. Já temos uma pré-campanha eleitoral em curso. É óbvio que os notórios acontecimentos exacerbariam uma pressão aqui para a votação", afirmou.

A respeito de fala do senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o líder do governo disse que o senador "tem que se preocupar em buscar voto na sociedade", não com o governo. "Ele tem que se preocupar em dizer para a sociedade brasileira por que o governo deles matou 700 mil pessoas", emendou.

Já o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, disse que houve uma "aliança entre o bolsonarismo e a chantagem política". Ele também afirmou que o Senado saiu menor do que chamou de "episódio lamentável".

"A aliança entre bolsonarismo e chantagem política venceu na rejeição ao nome de Jorge Messias ao STF. O Senado sai menor desse episódio lamentável".

O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, minimizou a rejeição à indicação de Messias. Segundo o petista, cabe ao Senado explicar os motivos da decisão, mas que o governo aceita a decisão.

"Cabe agora ao Senado explicar as razões dessa desaprovação e nós, evidentemente, aceitarmos o resultado com a maior serenidade possível.Cabe ao presidente, é atribuição dele, como é atribuição do Senado julgar e aprovar indicações do presidente da República", declarou.

Guimarães afirmou que Messias era o "melhor nome" e que reunia os requisitos exigidos para assumir uma cadeira na Corte.

O resultado foi um balde d'água no governo Lula, já que articuladores planejavam uma vitória por até 48 votos favoráveis. Messias foi rejeitado pelo placar de 42 votos contrários e 34 votos favoráveis no plenário.
*Com informações do Estadão Conteúdo