Jorge Messias precisava de 41 votos favoráveisGeraldo Magela/Agência Senado

O advogado-geral da União, Jorge Messias, foi rejeitado em votação no plenário, nesta quarta-feira (29), por 42 votos a 34 a vaga no Supremo Tribunal Federal. O AGU foi indicado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ao cargo no STF após o anúncio da aposentadoria de Luís Roberto Barroso.
Dos 81 senadores, estavam presentes 79. Ao todo, foram 77 votos, com apenas 1 abstenção. Messias precisava de 41 votos favoráveis para ser aprovado.
A senadora Mara Gabrilli (PSD-SP) marcou o iniciou a votação com a chamada do editorial do Estadão com o título de "Senado tem o dever de rejeitar Messias", que trata da desconfiança da população na Corte e a falta de imparcialidade na decisão.
Após a votação, alguns senadores permaneceram no ambiente para comemorar o resultado, enquanto outros permaneceram incrédulos. O placar foi considerado inesperado, visto que a última rejeição de uma indicação ao STF foi em 1894, durante o governo do marechal Floriano Peixoto. Com isso, Lula terá que indicar outro nome ao STF, que também passará por votação do Senado.
Sabatina
A indicação foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) por 16 votos a 11 após a sabatina de Messias, com a duração de 8 horas. 
Durante a sabatina, Messias se declarou "ser totalmente contra o aborto" ao responder uma pergunta do senador Weverton Rocha (PDT-MA) que questionou a decisão da Advocacia Geral da União que foi contra a resolução do Conselho Federal de Medicina sobre a interrupção da gravidez. O AGU afirmou considerar que "nenhum método que interrompe a gravidez pode ser considerado aceitável".
O indicado a vaga afirmou ter uma identidade evangélica, porém reconhece a clareza de que o Estado é laico e tem uma dinâmica "colaborativa que fomenta o diálogo construtivo entre o Estado e todas as religiões em prol da fraternidade".
O senador Espiridião Amin (PP-SC) questionou Messias a indicação do que chamou de "jovens" para o STF, com o argumento de que "não é republicano" deixar um ministro no cargo por 30 anos. O AGU tem 46 anos, apenas um ano mais novo do que quando o ministro da Corte, Cristiano Zanin, foi indicado e dois anos a menos do que quando Moraes, Mendonça e Nunes Marques foram indicados.