Nunes Marques é acusado de suspeição e foi pedido para que a relatoria seja distribuída para outro ministro do STFFellipe Sampaio/STF
Senadores pedem que Nunes Marques deixe relatoria de ação da CPI do Master por relação com Ciro
Alvo da Operação Compliance Zero foi um dos principais articuladores do ministro ao STF
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) informou nesta quinta-feira, 7, que fez uma representação no Supremo Tribunal Federal (STF), junto do senador Eduardo Girão (Novo-CE), para que o ministro Kassio Nunes Marques deixe a relatoria da ação para a abertura de uma CPI para investigar o caso do Banco Master. Vieira argumenta que o magistrado tem proximidade com senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo nesta quinta-feira, 7, da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal que apura crimes envolvendo as fraudes no banco.
"Considerando a relação íntima e notória entre o ministro Kassio e o senador Ciro Nogueira, que hoje [quinta-feira] passou a ser oficialmente alvo das investigações referentes ao caso Master, estou apresentando, juntamente com o senador Girão, pedido de suspeição, para que o mandado de segurança sobre a instalação da CPI do Master seja distribuído para outro ministro do STF", escreveu Vieira em suas redes sociais.
Ciro foi um dos principais articuladores e apoiadores da indicação de Kassio Nunes Marques ao STF em 2020, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). Na época, o senador elogiou publicamente o magistrado e atuou nos bastidores para viabilizar apoio no Senado. Além disso, os dois são do Piauí e têm relação antiga no meio político e jurídico local.
Ciro Nogueira foi um dos alvos da ação de busca e apreensão da Polícia Federal, dentro da 5ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga o escândalo do banco Master. Segundo a investigação, o senador "instrumentalizou o exercício do mandato parlamentar" em favor dos interesses do Banco Master no Congresso Nacional.
A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça do STF. Os investigadores apontam que o senador recebia uma mesada de R$ 300 mil do banqueiro. Segundo a apuração, "há relatos de que o montante teria evoluído para R$ 500 mil".
Os investigadores também dizem que Vorcaro teria disponibilizado gratuitamente ao senador, por tempo indeterminado, um imóvel de alto padrão, além de custear hospedagens, deslocamentos e outras despesas ligadas a viagens internacionais de luxo.
Entre os gastos mencionados, estão estadias no Park Hyatt New York, restaurantes de alto padrão e despesas atribuídas ao parlamentar e à sua acompanhante. A investigação cita ainda a disponibilização de um cartão para cobertura de gastos pessoais
A PF encontrou no celular do banqueiro diálogos com o senador e ordens de pagamento destinadas a uma pessoa identificada apenas como "Ciro". Na ocasião, o parlamentar afirmou conhecer Vorcaro, mas negou proximidade e recebimento de pagamentos.
"A narrativa policial enfatiza que os elementos colhidos demonstrariam a existência de um arranjo funcional e instrumental orientado por benefício mútuo, extrapolando relações de mera amizade", esclarece a PF.
O senador nega as irregularidades. Em nota, a defesa de Ciro Nogueira "repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar."
"Medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas", escreve a defesa em nota.
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