Alckmin disse que o Brasil não precisa ter dois integrantes da família Bolsonaro trabalhando contra o paísReprodução / Youtube

Brasília - O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou nesta terça-feira, 26, que o Brasil não precisa de outro integrante da família Bolsonaro trabalhando contra o país nos Estados Unidos ao ser perguntado pelo Broadcast se um possível encontro do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o presidente norte-americano, Donald Trump, atrapalharia as negociações entre Brasil e EUA.

Ele conversou com jornalistas depois de visitar uma concessionária de carros elétricos na capital federal para conhecer o modelo de carro que entraria no novo programa de crédito para motoristas de aplicativo e taxistas.

"Em relação à visita do pré-candidato nos Estados Unidos, vou explicar. Nós já tínhamos um da família trabalhando contra o Brasil. Não precisamos ter dois trabalhando contra", afirmou.

Trump deve realizar exames médicos e odontológicos preventivos nesta terça-feira. Entre os compromissos listados na agenda oficial do republicano não consta um possível encontro com Flávio Bolsonaro.

O senador do PL embarcou para os EUA no domingo, 24, com o objetivo de se encontrar com o presidente norte-americano. Ele informou ao Senado que ficaria fora do Brasil até quinta-feira, 28.

A equipe do senador não divulgou detalhes da agenda dele durante a viagem nem quando ele deve se encontrar com Trump. A Casa Branca, por sua vez, não se manifestou sobre o encontro e eventual convite.

Na semana passada, Flávio Bolsonaro afirmou que não foi ele quem pediu o encontro. "No, I didnt ask anything", disse o senador em inglês ao ser questionado sobre a possível viagem.

Esse pode ser o primeiro encontro de Flávio Bolsonaro oficialmente como pré-candidato à Presidência com Trump. O senador tem mantido viagens regulares aos EUA desde dezembro, quando anunciou a intenção de concorrer ao Planalto, incluindo participação na Conservative Political Action Conference (CPAC), um dos maiores eventos conservadores do mundo, em março.
Procura por programa para taxistas e motoristas de apps
Alckmin afirmou que há enorme procura pelo novo programa do governo que cria linhas de crédito com benefícios para motoristas de táxi e de aplicativos.

"Esse programa são R$ 30 bilhões. Hoje saiu a medida provisória, vale por 120 dias, e teve uma enorme procura, enorme procura. As pessoas, os taxistas e os motoristas de aplicativo, já podem se cadastrar, entrar na elegibilidade para o sistema, e os juros caem praticamente a metade", afirmou Alckmin.

Segundo ele, as mulheres terão ainda mais redução na taxa de juros dos financiamentos porque o governo quer estimular que elas ganhem espaço no setor.

"A gente quer estimular que mais mulheres venham participar como motoristas de aplicativo ou taxista. Então, é um estímulo importante. O prazo de pagamento são uns 70 meses e a procura está enorme, vai ser um grande sucesso", completou o vice-presidente da República.
Fim da jornada 6x1
O vice-presidente da República também destacou que ideia do governo de acabar com a jornada de trabalho 6x1 não tem relação com as eleições. Segundo ele, a Câmara dos Deputados fez um bom entendimento, com uma transição para a redução da jornada, em texto aprovado na segunda-feira na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

"Na realidade, isso não tem relação especificamente com eleição. Há uma tendência mundial de redução de jornada de trabalho, eu fui constituinte em 1988 e a jornada veio para 44 horas, estamos falando de 38 anos depois. Há uma tendência mundial de ter uma redução de jornada", afirmou.

A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que reduz de 44 para 40 horas semanais da jornada de trabalho teve seu relatório lido na segunda, mas a votação foi adiada por conta de um pedido de vistas. Alckmin elogiou o texto, que prevê uma transição menor, de 44 para 42 horas, chegando às 40 horas apenas em 2027.

"Eu acho que é uma medida correta e que foi feito um bom entendimento. Nós vamos implantar metade, duas horas agora, e redução de outras duas daqui um ano. Eu acho que é um bom entendimento", completou o vice-presidente.