Falso médico Marcos Phelipe foi flagrado aplicando injeção na ruaReprodução / Redes sociais

O pai de Marcos Phelipe de Barros, preso nesta terça-feira, 26, por atuar como médico sem formação em um hospital na zona leste de São Paulo, também já exerceu ilegalmente a profissão de Medicina.

De acordo com a Polícia Civil, o homem foi surpreendido realizando tratamento médico em dois criminosos foragidos em São Mateus (zona leste). O homem não teve a identidade revelada e a polícia também não forneceu mais detalhes do caso - como a data precisa e os motivos para a pratica das ilegalidades.

"O pai já respondeu e está em liberdade", disse o secretario da Segurança Pública do Estado, Nico Gonçalves. "Foi no ano passado, ocorrência do ano passado", acrescentou Artur Dian, delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo.

As declarações foram dadas durante coletiva de imprensa realizada para detalhar a segunda fase da Operação Hipócrates, deflagrada para desarticular um esquema de falsos médicos em um hospital privado da região de São Miguel, também na zona leste da capital paulista.

Dois mandados de prisão foram expedidos pela Justiça. Marcos Phelipe de Barros foi detido, enquanto segundo suspeito, Mayke César Silva, não foi localizado. Ele já havia sido alvo da primeira fase da mesma operação, em dezembro do ano passado, e está foragido desde então. Conforme a polícia, ele fugiu para o Chile. A reportagem busca contato com a defesa de ambos.

Sem formação em Medicina, os dois atuaram por dois anos como médicos do Hospital Jardim Helena, em São Miguel Paulista. A dupla atuava como plantonistas aos finais de semana e, segundo as investigações, chegaram a realizar mais de 2 mil atendimentos no período. A reportagem busca contato com a clínica.

Ao menos nove mortes
O inquérito apura a ocorrência de ao menos nove mortes de pacientes que teriam sido atendidos pelos chamados "falsos médicos". O delegado Mariano de Araújo, titular do 22° DP, afirma que pelo menos um dos óbitos teve como causa da morte um erro de procedimento médico. Os outros oito óbitos ainda aguardam a conclusão dos respectivos laudos.

"Desses nove, já temos um laudo do IML (Instituto Médico Legal) atestando que o erro de procedimento deu causa mortis", disse o delegado Araújo. Ele deu detalhes do caso.

"Era uma senhora que estava com problemas no coração. Ela ficou oito horas sem que fosse feito um exame cardíaco que apontaria que ela estava tendo um aneurisma na aorta. por conta desse intervalo de tempo tão longo. O que aconteceu? Ela morreu".

A lista de pacientes atendidos por Marcos Phelipe e Mayke ainda está sendo periciada. O número de mortes relacionadas aos dois suspeitos, portanto, pode aumentar, dizem os investigadores. Um vídeo obtido pela reportagem mostra Marcos Phelipe aplicando uma injeção em uma mulher em via pública. A substância usada, segundo a polícia, era Mounjaro.

Falsidade ideológica
Para se passar por médicos, os investigados utilizaram informações verdadeiras de profissionais já formados.

Marcos Phelipe de Barros se apropriou de dados de um médico identificado pelo nome de Nicolas, que atua em Marília, no interior do Estado. Já Mayke se passava por um homem que também tem o nome de Mayke (os sobrenomes não foram informados) e que exerce a profissão em Catanduva, também no interior paulista.

"Os bandidos tinham cópias do CRM (Conselho Regional de Medicina) e do diploma", disse o delegado Araújo, que citou que os médicos verdadeiros chegaram a relatar problemas por conta da atuação clandestina dos suspeitos. "Não se conheciam (os falsos médicos), nunca tiveram contato. O Nicolas nunca esteve nesta região da zona leste", afirmou.

Conforme as investigações, Mayke é biomédico formado, enquanto Marcos, embora tenha cursado alguns semestres da faculdade de Medicina, não possui formação universitária. Eles se conheciam, eram próximos. Segundo a polícia, Marcos Phelipe também chegou a exercer ilegalmente a Medicina em Taboão da Serra.