Chefes da Fazenda, Justiça e o diretor-geral da Polícia Federal participaram da reunião no Palácio nesta sexta (29)Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O Palácio do Planalto convocou e realizou nesta sexta-feira (29) uma reunião de emergência para responder ao governo americano e discutir o alcance da designação como grupos terroristas, pelos Estados Unidos, das duas maiores facções criminosas de origem brasileira, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
Do encontro, participaram os chefes das pastas da Fazenda e da Justiça e Segurança Pública, além da direção-geral da Polícia Federal (PF). Também estiveram presentes assessores do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e integrantes da Assessoria Especial da Presidência da República.
A reunião ajudou a traçar o tom da resposta oficial do governo brasileiro. Publicada pela Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom), a nota retoma a defesa da soberania nacional e critica os pedidos expressos feitos por parlamentares de oposição a autoridades do governo americano sobre o tema.
Como mostrou o Estadão, a gestão federal havia programado o encontro na noite de quinta-feira (28), após a decisão ter sido oficializada pelo Departamento de Estado dos EUA, organizando-se para responder à altura, em ato similar ao adotado no tarifaço de julho de 2025.
O encontro também tratou dos temores de impacto econômico. Segundo integrantes da diplomacia brasileira, o governo vê riscos ao sistema PIX, criado pelo Banco Central (BC), que facilitou transações digitais e já era alvo de uma investigação comercial americana. Na iminência de ser concluída, essa apuração pode embasar novas tarifas.
Preocupa, sobretudo, o que pode ocorrer com bancos nacionais, que correm o risco de sofrer punições do Tesouro dos EUA e proibição de realizar operações internacionais, a exemplo do que ocorreu com três instituições financeiras do México.
O vice-presidente da República resumiu os impactos em agenda pública em São Paulo: "Isso é ruim para o Brasil. Pode ter consequências na área do sistema financeiro, na área da economia. Não vai resolver nada em termos de combate ao crime e pode prejudicar a economia."
As duas facções brasileiras voltadas principalmente ao tráfico de drogas foram as mais recentes atingidas pela classificação do governo americano, que já havia adotado a medida contra 14 grupos latino-americanos, sobretudo cartéis mexicanos.