Presidente deu declaração durante reunião ministerial realizada nesta quarta-feiraReprodução / Canal Gov

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quarta-feira (3), que foi pego de surpresa com a decisão dos Estados Unidos de sugerir novas tarifas ao Brasil. Durante a reunião ministerial realizada, o petista chamou o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, de "latino-americano frustrado".

"Confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem (terça) e antes de ontem (segunda-feira) com a decisão deles. E mais ainda, o que é triste, é que tem brasileiros que não vou citar nomes aqui, fomentando essa briga na perspectiva de que se ele taxar a gente ele vai prejudicar uma candidatura a Presidente da Republica e um imbecil desse não percebe que quem é prejudicado é o povo, não é o Lula", afirmou na abertura da reunião ministerial - numa referência ao rival Flávio Bolsonaro (PL).

Lula afirmou ainda que não se pode aceitar o tratamento que os EUA deram ao Brasil nesta semana e que ninguém pode dizer que o Brasil se negou a negociar com os norte-americanos. Disse que haviam acordado em debater divergências em 30 dias.

Ele voltou a criticar o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, ao dizer que ele não gosta da América Latina e que este disse que EUA estão fazendo América Latina próxima, menos Nicarágua, Cuba e Brasil.

"Esse Marco Rubio não gosta da América Latina e muito menos do Brasil ele é um latino-americano frustrado, não sei se ele nasceu em Cuba, parece que ele é filho de pessoas que nasceu em Cuba", completou.
Lula também afirmou que pretende escrever mais artigos na imprensa norte-americana e mundial para contestar a postura da Casa Branca.

"Eu ainda vou mandar outra carta ao presidente Trump, vou escrever quantos artigos forem necessários escrever na imprensa americana e na imprensa mundial, para mostrar que eles estão errados, equivocados, e que estão induzindo o mundo a uma violência desnecessária", destacou Lula.

Na reunião ministerial desta quarta-feira, ele também orientou os ministros a falarem que a família do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL) está tentando trair o Brasil ao defender as ações dos Estados Unidos para vencer as eleições presidenciais.

Sobre o principal oponente em outubro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o petista disse que a conduta dele, ao se encontrar com Trump na semana passada, é uma "traição da pátria"

"Vocês, ministros, não podem deixar de dizer isso em alto e bom som: estão tentando trair o Brasil com interesses mesquinhos, rasteiros, de uma disputa eleitoral. Não há disputa eleitoral, em qualquer país do mundo, que possa dar valor a alguém que trai a pátria", comentou o presidente da República.

Lula também afirmou que, caso os Estados Unidos criem novas barreiras comerciais contra o Brasil, a orientação é achar novos parceiros comerciais. "Se os Estados Unidos querem problema, eles têm o direito de não querer, agora, nós não vamos ficar chorando, vamos procurar outros parceiros. Se eles não querem comprar, nós vamos vender para quem quiser comprar, a gente não vai ficar reclamando", disse.

O presidente também mandou recados sobre minerais críticos brasileiros, que são de interesse dos Estados Unidos, afirmando que é preciso se comunicar ao governo brasileiro antes de iniciar explorações.
Lula convocou reunião ministerial nesta quarta para definir como será a estratégia de propaganda do governo federal nos últimos meses de mandato. A ideia do presidente é alinhar a divulgação dos principais programas com potencial eleitoral para a campanha à reeleição, como o Desenrola 2.0 e a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil.
"China reconheceu País livre da febre aftosa"
Segundo Lula, liberação do Brasil de febre aftosa, por parte da China, é a melhor resposta possível aos Estados Unidos após o United States Trade Representative (USTR) recomendar a taxação de 25% sobre os produtos brasileiros.
"A melhor resposta que a gente pode dar aos Estados Unidos é que, no dia em que eles anunciaram a taxação de 25%, a China anunciou o reconhecimento do Brasil, nos seus 8,5 milhões de quilômetros quadrados, fora de febre aftosa. Então, a carne brasileira foi totalmente liberada pelos chineses", afirmou Lula

A decisão chinesa, que ocorreu um dia após o anúncio da decisão do USTR, elimina restrições à compra de carnes em regiões do Brasil. O reconhecimento foi feito após duas décadas de negociação bilateral.
"Eleição será decisiva para o 'fortalecimento da democracia' no Brasil"
Ao falar sobre as eleições presidenciais de outubro, Lula disse aos seus ministros que o momento é decisivo para o "fortalecimento da democracia" no Brasil.

"Nós estamos em um momento decisivo para que a sociedade brasileira e, até uma parte da sociedade mundial, reconheça o fortalecimento da democracia no nosso país. A nossa luta para o fortalecimento do multilateralismo, a nossa luta para que esse país não seja tratado, em nenhum momento, como uma republiqueta insignificante", afirmou o presidente.

O petista também disse aos ministros que nenhuma iniciativa do governo deve ser apresentada mais neste ano. A missão dada por ele é entregar todas as ações já idealizadas até o dia 3 de julho, data limite da legislação eleitoral para a inauguração de obras por parte do presidente.

"Ninguém me apresente absolutamente nada novo, agora é entregar o que já foi pensado. Tem muita coisa que vocês já pensaram, muita coisa que eu até pensei que já estava funcionando e algumas ainda não estão funcionando por problemas burocráticos", disse Lula.

O presidente também colocou o prazo de 3 de julho para que os ministros façam as entregas do governo federal que ainda estão por ocorrer. Segundo ele, a mensagem de atuação do governo federal não chega da mesma forma quando o presidente e os ministros não podem mais inaugurar obras ou fazer convênios.

"Nós temos até o dia 3 de julho para fazermos todas as entregas que nós temos que fazer porque, depois do dia 3 de julho, não podemos fazer mais convênios com prefeituras, não podemos fazer mais convênios com o governo do Estado e não podemos mais inaugurar obras", afirmou.

O presidente também reclamou de ministros que inauguram ações sem contato anterior com a Casa Civil. "Nós precisamos estar informados do que está acontecendo neste país", disse Lula.

As ações judiciais de ministros em tribunais superiores, sem consulta à Advocacia-Geral da União (AGU) e à Casa Civil, também foram alvo de críticas de Lula. "É importante que a gente não saiba nada pelos jornais, que a gente saiba as coisas pelo compromisso de ser um governo unitário, democrático e progressista", afirmou.
"Não quero que imprensa divulgue nossas divergências aqui"
Ao encerrar a reunião ministerial, em tom de brincadeira, Lula pediu que a imprensa não divulgasse as informações do evento.
"Agora, chegou o momento em que queria pedir aos companheiros da imprensa, que agora vamos fazer a reunião sem a participação da imprensa. Agora ou vou ser xingado ou vou xingar. Não quero que a imprensa divulgue nossas divergências aqui", disse, em tom de brincadeira e bem humorado.
Além do próprio Lula, falaram na reunião ministerial até aqui a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, e o da Fazenda, Dario Durigan. Miriam fez um balanço de todas as pastas, das entregas feitas até aqui e das que estão previstas para os próximos meses Durigan falou sobre os resultados econômicos e as perspectivas daqui para frente.

Ao menos o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, falará na reunião, conforme foi anunciado durante as outras falas. É de praxe que o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, também fale aos demais presentes para alinhar o discurso político de todos os ministros do governo.
*Com informações do Estadão Conteúdo