Tarcísio afirmou que Brasil perde oportunidades em áreas como energia de biomassa e biocombustíveisReprodução / Veja

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse nesta segunda-feira, 15, que o governo Lula "não vai deixar saudade". Ao ser questionado, em fórum promovido pela revista Veja, sobre o legado deixado pelo governo atual, Tarcísio respondeu que a administração Lula foi marcada por perder oportunidades.

"Não vai deixar saudade. Eu acho que deixamos o bonde passar, e deixamos de aproveitar uma grande oportunidade. A oportunidade está passando embaixo dos nossos olhos", comentou o governador.

Segundo Tarcísio, o País está deixando um grande potencial "escorregar pelas mãos". Nesse sentido, citou oportunidades em áreas como energia de biomassa e biocombustíveis em meio ao choque do petróleo.

"Nós temos tudo que o mundo quer. O mundo precisa de um parceiro confiável para biocombustível. Opa, nós estamos aqui de braço levantado. Precisa de parceiro confiável para segurança alimentar. Opa, nós estamos aqui com o braço levantado. Nós somos parceiros confiáveis para aquilo que o mundo precisa", afirmou o governador de São Paulo.
"Essas oportunidades estão passando, e estamos assistindo. Estamos deixando de pensar no Brasil do século XXI, porque não resolvemos os impasses do século XX", acrescentou Tarcísio.

Ele cobrou uma "virada de chave" para que o País possa dar um salto. "Ser grande é uma questão de atitude. Se quisermos ser grandes, vamos ser grandes, depende de nós", concluiu.
Reforma política
Tarcísio de Freitas também criticou a desorganização institucional do País. Ao citar o que classificou como um caos nas relações entre instituições, ele defendeu que o próximo presidente lidere uma reforma política, antes mesmo das medidas de ajuste fiscal.

Durante o fórum promovido nesta segunda-feira, Tarcísio citou o Plano Real como a última vez em que houve convergência política para resolver um grande problema do País. "Depois disso, faltou essa visão de Estado. Então, quando a gente perde a capacidade de organizar as instituições, as instituições desorganizadas produzem o caos institucional que a gente está vivendo: a interferência de um poder no outro, sem instituições fortes, sem sistema de peso e contrapesos, sem um mercado livre", declarou o governador.

Segundo Tarcísio, o Brasil sofre de uma desorganização das instituições e de uma falta de capacidade para organizar decisões políticas, no sentido de dar uma direção ao País.

O governador salientou que uma série de reformas fiscais é necessária. Mas emendou dizendo que o País precisa de uma reforma anterior, referindo-se à reforma política, sendo que o primeiro passo precisa ser dado pelo próximo presidente.

"Talvez a gente precise de uma reforma anterior, que é uma reforma de natureza política para realmente organizar as decisões, organizar as instituições e estabelecer esses requisitos de crescimento", declarou Tarcísio.