Mais de 117 milhões de pessoas são refugiadas e ainda estão deslocadas à força no mundoTânia Rêgo/Agência Brasil
O aumento dos pedidos no Brasil segue a tendência do continente americano que, no ano passado, foi a principal região em deslocamento forçado, superando a África Oriental e Austral e o Oriente Médio.
O número de refugiados nas Américas chegou a 22,8 milhões de pessoas, liderados por cidadãos venezuelanos acolhidos, quase em totalidade, por outros países da América Latina ou do Caribe.
Este sábado, dia 20 de junho, marca o Dia Mundial do Refugiado e, de acordo com o representante da Acnur no Brasil, Davide Torzilli, esta é uma data de alerta: mais de 117 milhões de pessoas ainda estão deslocadas à força no mundo, apesar deste contingente ter registrado queda pela primeira vez, em mais de uma década.
“Das cinzas da Segunda Guerra Mundial surgiu uma promessa: proteger as pessoas forçadas a fugir de conflitos, da violência e da perseguição. A comunidade internacional está falhando coletivamente com essas milhões de pessoas.”
O representante da Acnur cobrou que as autoridades de todo o mundo promovam autonomia, independência e soluções de longo prazo para os refugiados, além de ações humanitárias.
“Isso significa facilitar o acesso ao emprego formal e ao empreendedorismo, reconhecer qualificações, ampliar oportunidades de formação e fortalecer políticas de inclusão a quem já não pode contar com seus estados para proteger as suas vidas. Proteger uma pessoa refugiada é proteger toda a sociedade.”
Este ano, a campanha da Acnur para o Dia Mundial do Refugiado incentiva as gerações mais jovens a defenderem o direito ao asilo como um bem comum para toda a humanidade e o fundamento da proteção internacional. O lema escolhido foi: Até Cada Pessoa Estar a Salvo.
O público estimado das últimas edições foi de 6 a 7 mil pessoas. A programação ocupa o Sesc Tijuca, na Zona Norte da capital neste sábado (20) e domingo (21), das 10h às 18h, com feira gastronômica e de produtos de moda e arte, além de apresentações musicais e oficinas.
Todos os expositores das feiras são pessoas refugiadas que vivem no Brasil, originárias de nove países: Venezuela, Colômbia, Angola, República Democrática do Congo, Síria, Nigéria, Irã, Cuba e Líbano. Refugiados de outros países também participam como mediadores das oficinas.
De acordo com a coordenadora geral do Pares Cáritas, Aline Thuler, somente no primeiro trimestre deste ano, a instituição já realizou cerca de 1,2 mil atendimentos, a pessoas de quase 60 nacionalidades diferentes. Quase metade é venezuelana, e houve aumento este ano de pessoas vindas do Haiti e da Síria.
Ela diz que as leis de acolhimento a refugiados do Brasil são exemplo mundial, mas há gargalos para efetivar os direitos previstos.
"Ainda há desconhecimento de quem está na ponta sobre os refugiados, o que gera dificuldade pra ser atendido em uma unidade de saúde ou para matricular uma criança na escola…”
Mas o principal desafio, segundo a coordenadora do Pares Cáritas, é a reinserção profissional.
“A gente tem muita gente com nível de graduação, às vezes mestrado e quando chega ao Brasil, não consegue trabalhar na área de formação. A burocracia é muito grande para validar o diploma e exige documentação que às vezes um refugiado não tem como conseguir”
Aline Thuler alerta também que essa dificuldade torna os refugiados mais vulneráveis à exploração e até ao trabalho análogo à escravidão.
“É preciso sensibilizar as empresas para duas coisas, explicar que ele não está empregando uma pessoa ilegal, que o refugiado pode trabalhar e também que essa pessoa tem os mesmos direitos que o trabalhador brasileiro”
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