Sóstenes Cavalcante informou que vai se pronunciar quando tiver acesso aos autos, que já estão públicosLula Marques/ Agência Brasil
O Estadão pediu manifestação a Sóstenes sobre a operação. Ele informou que vai se pronunciar quando tiver acesso aos autos, que já estão públicos. O espaço segue aberto.
Nesta quarta-feira (1º), a corporação deflagrou a terceira fase da Operação Rent a Car, que mira advogados ligados ao deputado. A apuração foca um suposto desvio de recursos da cota da Câmara por meio da locadora Harue Locação de Veículos Ltda., suspeita de emitir notas fiscais fictícias. A reportagem busca contato com a empresa.
Os investigadores seguiram o caminho do dinheiro e identificaram "uma complexa movimentação financeira entre empresas, com recebimento de verbas públicas e expressivos saques em espécie". De acordo com o inquérito, as etiquetas coladas nos pacotes encontrados no imóvel do parlamentar, em Brasília, levaram às empresas EJUS Empreendimentos Imobiliários Ltda. e Foco Engenharia e Incorporações Ltda., além dos irmãos Jonas Keslley Gonçalves Umbelino e Jecy Kenne Gonçalves Umbelino.
As companhias e os dois irmãos foram alvo de busca e apreensão nesta manhã. A reportagem busca contato com a defesa dos citados.
Diz a polícia que Jonas e Jecy aparecem vinculados, em análises de inteligência, a transações financeiras complexas, recebimento de recursos públicos, saques de grandes quantias em dinheiro e a uma estrutura societária compartilhada atrelada ao deputado.
Quando foi alvo da instituição, em dezembro, Sóstenes afirmou que a quantia tinha origem na venda de um imóvel em Ituiutaba (MG), supostamente quitado em dinheiro vivo.
A partir dessa versão, os agentes produziram dois relatórios para verificar a capacidade financeira do alegado comprador, o advogado Thiago Ferreira de Paula, a compatibilidade econômica da transação e a eventual relação entre o negócio e o montante apreendido. Thiago também foi alvo de buscas nesta manhã. O Estadão busca contato com sua defesa.
A linha de apuração sobre a venda do bem em Ituiutaba levou a analisar a escritura pública do negócio, registrada em 30 de dezembro de 2025. O documento formalizou a transferência da propriedade ao advogado pelo valor de R$ 500 mil.
Na escritura, as partes declararam que o pagamento havia sido feito em dinheiro, em 24 de novembro de 2025. A cronologia, porém, levantou suspeitas. Nota-se que o documento foi lavrado apenas em 30 de dezembro, dias depois das buscas — realizadas em 19 de dezembro —, quando os R$ 468,7 mil foram recolhidos.
O caso também identificou indícios de incompatibilidade financeira envolvendo o comprador. Apontou-se que a movimentação de créditos de Thiago de Paula era cerca de 17,7 vezes superior à renda declarada, superando sua capacidade em R$ 608 mil.
Para a força-tarefa, as atenções se concentram em dois eixos. O primeiro envolve o grupo empresarial formado pelos irmãos Jonas e Jecy e pelas firmas EJUS Empreendimentos Imobiliários, Foco Engenharia e Incorporações e J. Umbelino Participações. O segundo diz respeito à narrativa apresentada para justificar a origem do dinheiro, centrada na venda do imóvel a Thiago Ferreira.
"Em ambos os eixos, o que emerge é um quadro de relevante opacidade financeira e patrimonial", afirma o relatório. Segundo o texto, há indícios de "interligação societária, recebimento de recursos públicos, saques expressivos em dinheiro vivo e inconsistências cronológicas e financeiras na negociação", além da ausência de "comprovação bancária contemporânea para o pagamento declarado e de movimentações incompatíveis com a renda ostensiva do comprador".