Os agentes também vendiam bloqueadores de sinais de radiofrequência, usados na ocultação de veículos roubadosPaulo Pinto / Agência Brasil
Os guardas, denunciados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público, atuaram entre outubro de 2019 e janeiro de 2023 no abastecimento do mercado ilegal de armas e munições no perímetro central que ficou conhecido como Cracolândia. O trio comercializava bloqueadores de sinais de radiofrequência, usados na ocultação de veículos roubados.
Segundo a acusação apresentada pelo MPSP, o esquema se beneficiava do cenário de degradação e da elevada incidência de atividades ilícitas naquela área.
"Ainda de acordo com as apurações, o comércio clandestino de armas integrava um ecossistema criminoso mais amplo, marcado também por receptação, tráfico de drogas, exploração de jogos de azar e corrupção de agentes públicos", explicou o Gaeco, em nota.
A Cracolândia se caracterizava por um ponto de consumo aberto de substâncias químicas. Além do uso de diversos entorpecentes, principalmente o crack e o álcool, o reduto acolhia redes de tráfico e receptação de furtos.
O fluxo principal foi dispersado no segundo semestre de 2024, restando grupos pequenos, com menos de quinze indivíduos, que consomem drogas abertamente na região. Boa parte dos moradores de rua que frequentavam o local foi deslocada para outros pontos do município, como Raposo Tavares, Cidade Tiradentes, Vila Leopoldina e Jardim Ângela.