Operação Bomba Oculta também lacrou seis postos clandestinos na capital paulistaReceita Federal / Reprodução
A Carbono Oculto revelou como os tentáculos do crime organizado penetraram em diferentes etapas da cadeia nacional de combustíveis, da importação e produção à distribuição e revenda. O setor, segundo as investigações, tornou-se um instrumento eficaz para lavagem de dinheiro do tráfico de drogas.
Na quarta-feira, 26, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou 16 alvos da Operação Carbono Oculto. Eles são acusados de organização criminosa e lavagem de dinheiro em conexão com o PCC.
Segundo a Promotoria, os denunciados teriam integrado, promovido e financiado uma organização criminosa, com divisão de tarefas voltada à prática de crimes como adulteração de combustíveis, falsidade documental, fraude contra o consumidor e crimes fiscais. O grupo também manteria conexão com outras organizações criminosas independentes.
O empresário Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, que está foragido e apontado como um dos cérebros do esquema, é um dos 16 denunciados. Sua defesa informou que não teve acesso aos autos. "Contudo, diante do que foi informado pela mídia, os fatos tratados na denúncia não têm nenhum relacionamento com Roberto. Sua inclusão no processo parece uma infeliz tentativa de gerar repercussão midiática, como já ocorreu anteriormente."
A Operação Fluxo Oculto, segunda fase da Carbono Oculto, identificou que quatro fundos de investimento suspeitos de integrar um esquema de desvio de nafta ligado ao PCC acumulam patrimônio estimado em R$ 205 milhões.
As investigações apontam que o grupo criminoso estruturou um esquema de abertura de empresas em diversos Estados para sustentar as fraudes.