Deputado Mario Frias é alvo de operação que investiga desvios para filme ’Dark Horse’Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados / Reprodução
Em 2024, Mario Frias destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina da Gama.
As investigações são baseadas em contratos celebrados pelo ICB e pela Academia Nacional de Cultura (ANC), também presidida por Karina, com empresas ligadas a doadores de campanha de Frias, ex-assessores parlamentares e ao advogado do deputado. Segundo os investigadores, há suspeitas de que parte desses contratos tenha sido simulada ou fraudulenta.
A operação também mira outros alvos ligados a Mario Frias e ao instituto, como ex-assessores parlamentares e pessoas contratadas para supostas prestações de serviços pelo instituto. Um dos alvos, por exemplo, é Raphael Augusto Azevedo, que foi chefe de gabinete do parlamentar.
Também foram identificados indícios de elaboração posterior e retrodatação de contratos, orçamentos e notas fiscais, para conferir aparência de legalidade às operações com emendas perante a Controladoria-Geral da União (CGU).
Os investigadores apontam ainda a existência de um fluxo financeiro circular entre o parlamentar, as entidades, as empresas contratadas e a produtora Go Up Entertainment. As movimentações somaram R$ 19 milhões entre novembro e dezembro de 2025.
Em agosto, o ministro Dino autorizou o compartilhamento, com a Polícia Federal, de dados apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo na Operação Wi-Fi, que teve Karina como um dos alvos. A investigação apura suspeitas de fraude, desvios em contratos e aditivos firmados entre a Prefeitura de São Paulo e o ICB.
A própria Polícia Federal pediu acesso ao material para ampliar as investigações sobre suspeitas de desvio de recursos públicos, especialmente de emendas parlamentares, envolvendo a produtora de Karina.
Segundo a Polícia Federal, "as investigações apontam a existência de uma organização criminosa, formada por agentes públicos e privados, suspeita de direcionar os valores recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados".
"As tentativas de dissimular os desvios teriam se estendidos até julho deste ano", frisam os investigadores.
Levantamentos financeiros identificaram movimentação milionária entre as empresas que integram o esquema investigado. Segundo a PF, são apurados os crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios
O filme "Dark Horse" teve mais de 90% de seu orçamento bancado com recursos do banqueiro Daniel Vorcaro. O financiamento secreto foi tratado entre o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro mesmo depois da prisão de Vorcaro por fraudes bilionárias, em novembro de 2025, segundo mensagens encontradas pela Polícia Federal em um dos celulares do banqueiro.




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