Castro Campos atuava principalmente em processos criminaisGustavo de Castro Campos/ Reprodução Instagram
O juiz morava com a família em São João da Boa Vista e viajava a Mococa para as audiências, realizadas também por meio remoto. O advogado criminalista Rogério Mega, que teve uma audiência com o juiz na tarde desta quarta-feira, 7, diz que o caso precisa ter um rigor na apuração. "Precisa ser muito bem investigado, pois seria uma afronta à justiça. Fazia o trabalho dele. Vamos esperar as investigações", diz ao Estadão.
O advogado conta que o juiz atuava principalmente em casos criminais, mas tocava também processos de outras áreas. "Acabamos a audiência às 15h30, ele sempre muito cordial, educado, imparcial. Estamos consternados, perdemos um grande homem."
A advogada criminalista Janaina Rotta lamentou em uma rede social a perda do colega.
"A notícia de sua partida me atingiu profundamente. Dr. Gustavo foi advogado por dez anos antes de ingressar na magistratura, e isso sempre fez diferença. Costumo dizer que quem conhece o 'chão de fábrica' enxerga de outra forma aquele que está do outro lado. Ele conhecia a realidade da advocacia, o peso dos prazos, das responsabilidades, das angústias e da luta diária de quem exerce essa profissão. Por isso respeitava, escutava e compreendia", postou a advogada.
"Dr. Gustavo não exercia autoridade pela dureza, mas pelo equilíbrio, pela atenção e pela humanidade. Sabia que, por trás de cada processo, existiam pessoas e histórias que não cabiam apenas nas folhas dos autos", acrescentou.
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) emitiu nota comunicando e lamentando o falecimento, e se solidarizando com familiares e amigos neste momento de luto e despedida. "O Tribunal registra, com gratidão, sua dedicação e contribuições prestadas ao longo da carreira", diz a nota. "As circunstâncias do ocorrido são investigadas pelas autoridades competentes", acrescenta.
O caso
O veículo estava em uma área pertencente a uma fazenda e foi localizado por volta das 19h15 por trabalhadores rurais que passavam pelo local em uma retroescavadeira. Eles utilizaram terra para controlar as chamas e encontraram o corpo dentro do automóvel.
A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros foram acionados para atender à ocorrência. Dentro do veículo, também foi localizada uma carteira de habilitação em nome do magistrado, o que ajudou na identificação da vítima.
Quem era o juiz
Ele ingressou na magistratura paulista como juiz substituto da 14ª Circunscrição Judiciária (CJ), com sede em Barretos, no ano de 2014. Atuou também na comarca de Tambaú e era titular da 2ª Vara da Comarca de Mococa.
O magistrado tinha atuação relevante no exercício da sua função: seu nome tem 85 mil menções em sites de buscas jurídicas.
Durante a pandemia de Covid-19, quando atuava na comarca de Tambaú, ele gravou um vídeo para a Associação Paulista de Magistrados (Apagamis) para mostrar que o Judiciário não havia parado. "Nós do Poder Judiciário somos a última porta de socorro à população", dizia. O vídeo teve ampla veiculação para informar a população que os serviços judiciários continuavam em trabalho remoto.
Na comarca de Mococa, o juiz chegou a ser alvo de investigação pelo TJ-SP após a reclamação formalizada por um advogado que alegou conduta inadequada do magistrado durante uma audiência. O caso foi analisado pelo Órgão Especial do TJ-SP que considerou improcedente a acusação e arquivou o procedimento.
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