Até setembro de 2026, foram contabilizados 470,5 mil casos prováveis de dengue no paísPaulo Whitaker / Reuters
O levantamento, realizado nos meses de maio a agosto, foi divulgado pelo Ministério da Saúde nesta quarta-feira (7) e mostra que apesar do alerta de infestação, os dados de infecções apresentaram melhora significativa em relação ao ano anterior.
As informações do levantamento ajudam estados e municípios a direcionarem ações de prevenção e controle dessas arboviroses, que são doenças virais transmitidas pela picada do mosquito Aedes aegypti.
Casos de dengue em queda
Até 26 de setembro, foram contabilizados 470,5 mil casos prováveis no país, contra 1,5 milhão no mesmo período do ano anterior.
Também houve redução nos registros de chikungunya e zika:
chikungunya – queda de 43% (de 118.885 casos, em 2025, para 67,9 mil, de janeiro a setembro deste ano).
zika – queda de 35% (de 3.724 casos para 2.141).
Onde o mosquito está
A presença de focos continua alta em recipientes simples do cotidiano dentro e fora das residências, assim mapeados:
42,3% – vasos e pratos de plantas, garrafas e pequenos recipientes do dia a dia;
26,1% – reservatórios de água (caixas d'água, tonéis, cisternas);
23% – pneus e lixo ou resíduos sólidos (latas, garrafas PET, entulho).
Norte – predominante em pneus e lixo;
Nordeste – predominante em caixas d'água e reservatórios para armazenamento de água;
Sudeste, Sul e Centro-Oeste – predominante em vasos, pratos de plantas, garrafas e recipientes domésticos.
Ações do governo e novas tecnologias
Outra motivação é o avanço do El Niño, fenômeno climático natural que altera os padrões globais de chuva e temperaturas. As novas condições climáticas têm provocado eventos extremos em várias partes do mundo.
Entre as ações destacadas para controle dos mosquitos, estão:
- formação de mais de 300 mil Agentes Comunitários de Saúde (ACS) até o fim do ano, para visitas domiciliares de orientação, identificação de riscos e alerta sobre sintomas;
- atuação de Agentes de Combate às Endemias (ACE) na prevenção, identificação de criadouros e ainda tratamento daqueles locais onde os criadouros não podem ser eliminados;
- uso de ovitrampas, que são armadilhas para coletar ovos do mosquito e mapear as áreas mais críticas. O dispositivo é adotado por órgãos de saúde pública de cerca de 2 mil municípios e fornece informações complementares;
- Borrifação Residual Intradomiciliar (BRI-Aedes) em imóveis como escolas, unidades de saúde e locais de grande circulação;
- Estações Disseminadoras de Larvicida (EDL), que são armadilhas que usam a própria fêmea do Aedes aegypti para espalhar larvicida em outros criadouros de mais difícil acesso. O larvicida usado afeta apenas o ciclo de desenvolvimento dos mosquitos;
- método Wolbachia, estratégia biológica que usa uma bactéria que impede o inseto de transmitir os vírus.
Papel da população
Entre as ações propostas pela pasta estão:
- manter caixas d'água, tonéis e cisternas bem tampados, guardar garrafas e baldes virados para baixo;
- limpar calhas e ralos das moradias;
- dar destino correto a pneus, latas, plásticos e entulhos; e
- eliminar a água acumulada em vasos e pratos de plantas.
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