Pisa-n’água-de-pescoço-vermelho Guilherme Serpa

 O pisa-n’água-de-pescoço-vermelho (Phalaropus lobatos) teve o segundo registro fotográfico na Laguna de Araruama, próximo à salina da Sal Cisne, em Cabo Frio, município da Região dos Lagos, feito por biólogos. A espécie tem 21 centímetros de comprimento e as fêmeas são maiores e mais coloridas que o macho, podendo variar entre cinza-claro, marrom e branco. A ave possui características migratórias, estando presente no Ártico, na América do Norte e na Eurásia, e, ocasionalmente, no Brasil.

O visitante ilustre trouxe alegria para o biólogo Guilherme Serpa que saiu do Rio de Janeiro em um bate e volta apenas para observar a rica fauna da Região dos Lagos e teve a sorte de encontrar e registrar a rara ave com outras espécies.

“Eu acho que esse novo registro do pisa-n’água-de-pescoço-vermelho na Região dos Lagos, sendo apenas o segundo registro no Brasil, demonstra a importância dos ambientes aquáticos como lagunas e salinas para a migração dessas aves”, disse Guilherme.
 
Pisa-n’água-de-pescoço-vermelho do lado do Pernilongo-de-perna-amarela abrindo a asa - Eduardo Pimenta
Pisa-n’água-de-pescoço-vermelho do lado do Pernilongo-de-perna-amarela abrindo a asaEduardo Pimenta
A procura por alimentos atraiu a ave para a Laguna de Araruama. Na maior parte do tempo, ela está em mar aberto, onde ocorrem correntes oceânicas convergentes que produzem o fenômeno da ressurgência. Por causa das semelhanças às águas oceânicas, a laguna chamou a atenção do animal para a Região dos Lagos em busca de plânctons, pequenos crustáceos e insetos.

Para conseguir realizar as fotografias, Guilherme contou com a ajuda de um experiente biólogo, pesquisador e observador de aves, Eduardo Pimenta. Ele já teve um encontro com o pisa-n’água-de-pescoço-vermelho há nove anos, em Araruama (RJ).

“Fiz o primeiro registro do Brasil em 2015, reconhecido pelo Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos em 2019. Agora, tivemos a segunda ocorrência. Isso traz um olhar para todo o nicho de mercado de observação de aves, não só do Brasil como do mundo, para nossa região, que certamente vai atrair muitos turistas de alta renda”, acredita Eduardo.

Além da atividade de observar aves, Eduardo também coordena o Projeto Imersão – projeto criado pela parceria entre a Prolagos e a Universidade Veiga de Almeida (UVA) – que realiza levantamento das espécies de aves no entorno da Laguna de Araruama. A pesquisa aponta que 15,5% das aves da Laguna são categorizadas como visitantes. A maioria são aves residentes, cerca de 77%.
Macho e fêmea de formigueiro-do-litoral, espécie endêmica da Região dos Lagos e ameaçada de extinção  - Eduardo Pimenta
Macho e fêmea de formigueiro-do-litoral, espécie endêmica da Região dos Lagos e ameaçada de extinção Eduardo Pimenta
Segundo o levantamento, 2,8% das aves estão quase ameaçadas ou ameaçadas de extinção. Entre elas, o Formigueiro-do-litoral e a Saíra-sapucaia, animais que só existem na Região dos Lagos e sofrem com a perda da vegetação litorânea pela construção irregular.

Quem sempre tem contato com as aves e apoiam nos registros das espécies são os pescadores. “É uma relação de muito respeito. As aves que mais aparecem na Laguna é a gaivota e a garça. Elas pousam na proa do barco e viajam com a gente. Elas estão tão acostumadas que o pescador dá o peixe no bico”, conta Leandro Coutinho, pescador de Iguaba Grande.