Fernando Mansur - colunistaSABRINA NICOLAZZI

“Não vemos as coisas como elas são. Nós as vemos como nós somos” (Anaïs Nin).
A ética precisa penetrar em nós habilmente, aproveitando as brechas deixadas pelo caráter em formação. Deve entrar sem que se perceba, através das frestas talhadas pelas demoradas passagens do tempo.
A mentalidade humana se deteriorou no decorrer do processo evolutivo. Através dos fatos registrados pela história, vemos o alfa e o ômega do que resultou dessa deformação: picos de sabedoria entremeados com abismos de ignorância.
Em priscas eras (lembra-se deste termo?) o Homem divino prevalecia e convivia harmoniosamente com seus irmãos e a natureza ao redor.
Entretanto, à medida que o tempo avançava, a mente foi se instalando vigorosamente em nossa constituição, e, com ela, o desejo devorador.
O desequilíbrio seria inevitável entre o que ‘céu’ e ‘terra’ almejavam. Escolhas deveriam ser feitas e o conflito desceu com toda força sobre nossas cabeças.
A matéria densificou-se, o espírito ficou aprisionado nela – o que é natural no decorrer da evolução. O espírito agora tem que se esforçar permanentemente para achar espaço para se expressar e tornar a matéria pouco a pouco mais sutil.
Dentro de nós há uma luta constante entre o “superior” e o “inferior”, cada um tentando fazer com que seus interesses prevaleçam. Essa é uma batalha travada dentro de cada um. O espírito precisa do veículo-matéria para se expressar. Seríamos seres amorfos, incompletos, sem um ou outro, mas a matéria precisa ser domesticada pela força de vontade espiritual.
Luz e sombra convivem em nosso ser. Não podemos ignorar as sombras, mas devemos lançar luz sobre elas. Só assim seremos fortes o suficiente para optarmos pela ética, “A verdadeira morada do Ser”.
Sejamos. Podemos. Vamos!