Fernando Mansur - colunistaSABRINA NICOLAZZI
Andar em ciclos é bem diferente de andar em círculo. Este é um comportamento repetitivo e aquele é uma dinâmica que a vida nos apresenta periodicamente.
Existem ciclos ou passagens muito importantes em nossa vida e alguns deles podem exigir de nós temperança e equilíbrio emocional na travessia do Rubicão pessoal. Costumam aparecer como desafios que sacodem a situação estabelecida.
Nunca antes eu havia observado tão atentamente esses marcos existenciais. Ao passar dos 70 anos, minha alma solicitou uma parada para autoavaliação.
Precisei voltar à terapia (análise) – e ler alguns livros. Foi então que deparei com minhas “sombras”. Na perspectiva da psicologia analítica de C.G. Jung, “a sombra é a parte oculta e reprimida da personalidade, composta por aspectos que o indivíduo se nega a reconhecer, tanto negativos quanto potencialmente positivos. Ignorar a sombra leva à sua projeção nos outros, mas enfrentá-la permite a integração de potenciais inexplorados, o que é essencial para o crescimento psicológico e o equilíbrio da psique”.
Este ciclo atual exige de mim esse enfrentamento. E é importante não fugir dele, pois como diz W. Brugh Joy em um dos capítulos do interessante livro ‘Ao Encontro da Sombra” (Ed. Cultrix, vários autores):
“Quanto tentamos negar as coisas que existem, coisas como os ciclos naturais do tempo e do espaço, faz-se necessária uma enorme energia. Essa energia, assim, deixa de estar disponível como fonte para outras atividades”.
“Quanto tentamos negar as coisas que existem, coisas como os ciclos naturais do tempo e do espaço, faz-se necessária uma enorme energia. Essa energia, assim, deixa de estar disponível como fonte para outras atividades”.
Do mesmo livro, cito Liz Greene: “Vocês veem que a questão da sombra não é sobre admitir defeitos. É uma questão de estremecer nas bases quando se percebe que não somos o que aparentamos ser – não apenas para os outros, como também para nós mesmos. E quanto mais velhos ficamos, mais difícil é enfrentar essa ameaça...”
O processo de autoconhecimento independe de idade e sempre vai exigir coragem. Não espere para empreender a busca de si mesmo. Vale a pena! Vamos!

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