O tempo que escorre pelos dedos. Vivemos em uma era em que a pressa se tornou um estilo de vida. As pessoas correm o tempo inteiro, mas nem sempre sabem para onde estão indo.
O relógio dita o ritmo dos dias, e ainda assim parece que nunca há tempo suficiente. A contradição é cruel: quanto mais recursos tecnológicos inventamos para economizar tempo, mais escravos dele nos tornamos. Os celulares estão sempre em nossas mãos, os aplicativos prometem eficiência, as agendas estão cheias de lembretes, mas, no fim, seguimos com a mesma sensação de vazio, como se o tempo escorresse pelos dedos enquanto nos distraímos com banalidades.
Há uma ilusão coletiva de que o tempo é abundante. Acreditamos que sempre haverá um amanhã para dizer o que precisa ser dito, para pedir desculpas, para iniciar um projeto, para visitar alguém ou para simplesmente viver o que realmente importa.
Essa falsa sensação de eternidade nos anestesia. Enquanto acreditamos ter domínio sobre a vida, adiamos decisões, desperdiçamos oportunidades e tratamos o essencial como se fosse descartável. Só que o tempo não pede licença, não avisa quando vai embora e não devolve nada do que já levou.
Basta olhar para a rotina da maioria. Horas gastas em redes sociais, deslizando telas infinitas que não acrescentam absolutamente nada.
Dias inteiros dedicados a reuniões improdutivas, discussões vazias ou trabalhos que drenam energia sem entregar significado.
Conversas importantes são adiadas porque “não deu tempo”, encontros são cancelados porque “apareceu outra prioridade”, abraços que poderiam curar dores são deixados para depois. Mas esse “depois” raramente chega. O que sobra é a sensação de que a vida passou rápido demais. A vida é finita, mas preferimos fingir que não. É mais confortável acreditar que teremos anos para realizar nossos sonhos, resolver pendências e corrigir erros. Só que a realidade é bem diferente: ninguém sabe quanto tempo tem. Pode ser décadas, pode ser apenas alguns dias. E essa incerteza deveria ser o maior incentivo para viver com lucidez, mas é justamente o contrário que acontece.
Criamos uma rotina de distrações e nos convencemos de que estamos “vivendo” quando, na verdade, apenas existimos.
O grande problema é que confundimos ocupação com significado. Estar ocupado o tempo todo virou sinônimo de importância, como se a correria fosse um troféu. Mas estar ocupado não é o mesmo que estar vivo.
Quantas pessoas lotam suas agendas de tarefas e compromissos, mas vão dormir com a sensação de vazio? Quantas se orgulham da pressa, mas sentem que nada realmente transformador está acontecendo em suas vidas? A sociedade transformou o desperdício em rotina e o tempo em mercadoria barata. É preciso, urgentemente, repensar essa lógica. Viver de forma lúcida não é correr mais rápido, mas escolher melhor. Não é encher a vida de experiências aleatórias, mas de experiências que tenham peso, sentido e memória.
Menos comparações, mais autenticidade. Menos consumo automático, mais presença. Menos correria sem propósito, mais calma com significado. Porque o tempo não se negocia: não se compra, não se vende, não se pausa. Ele simplesmente passa silencioso, inevitável, definitivo.
No fim, a vida não será medida pela quantidade de coisas acumuladas, mas pela qualidade dos momentos realmente vividos. Não importará se a sua agenda esteve sempre cheia, mas se você soube dar espaço ao que era essencial. A grande questão não é se tivemos muito ou pouco tempo, mas o que fizemos com o tempo que tivemos.
Vamos Orar: Senhor, ensina-me a valorizar cada instante, a viver com sabedoria e a não desperdiçar o tempo que me foi dado. Em Nome de Jesus. Amém.
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