Kakay 17-09-2026 onlineArte Gerada por IA

“Se você não pode convencê-los, confunda-os.”
A.C. Wilson

Estamos às portas de uma eleição que, de certa forma, pode decidir o destino do Brasil. Não é um pleito entre dois grupos opositores, mas sim entre aqueles que têm como base princípios e conceitos democráticos e outro não. Se fossem grupos opostos, mas democráticos, independentemente de quem ganhasse, o país prosseguiria em um Estado democrático de direito. Numa Democracia, a alternância de poder muitas vezes é benéfica.
Não é porque tenho uma visão mais esquerdista que deixo de respeitar uma posição de centro-direita democrática. Posso pensar que os governos do presidente Lula foram muito melhores para as classes trabalhadoras, para o pobre: criaram muito mais opções para melhorar a distribuição de renda e deram opções incomparavelmente maiores de ascensão social para o povo brasileiro. Sem desprezar, antes, reconhecendo, as conquistas democráticas dos governos de Fernando Henrique Cardoso.
Uma outra coisa é quando a disputa se dá com a extrema direita. O grupo bolsonarista não tem nenhum projeto de país. Os 4 anos da gestão Bolsonaro foram um caos. O candidato Flávio Bolsonaro nunca fez absolutamente nada na sua vida pública e, numa hipótese de ganhar, a estratégia é entregar o Brasil aos EUA. Perderemos os avanços dos últimos anos na saúde, na educação, na economia e na cultura, enfim. Seremos tragados para um precipício de obscuridade e atraso.
E o pior é que estamos fazendo o jogo deles. Há menos de 20 dias das eleições, não se discute o essencial para o país e para o povo brasileiro. Não se contam os avanços do governo. As pessoas querem ver propostas de economia, de emprego e de opções para os jovens. Todas as pautas que falam direto com os trabalhadores, como o fim da jornada 6x1, a isenção de IR, a valorização real do salário mínimo, a ampliação das garantias trabalhistas, o fortalecimento das negociações coletivas, o cuidado com o meio ambiente, a defesa da soberania e de um projeto brasileiro para as terras raras e minerais críticos, enfim, tudo o que realmente interessa, de certa forma, saiu da pauta eleitoral.
O Brasil virou uma grande mesa de botequim, onde só se debatem as peripécias do Banco Master, a disputa sanguinária de poder no Supremo, os vazamentos criminosos de investigações sigilosas e o aceno da ultradireita ao governo Trump.
Tornou-se mais importante, estrategicamente, para esse grupo vazio discutir as relações entre os poderosos do que levar ao eleitor o que será feito para mudar a vida do trabalhador. Ou seja, o bolsonarismo conseguiu levar a discussão eleitoral para o ambiente natural dele, em que trafega bem: o esgoto, o submundo, a mentira, a corrupção e a lama. E, ainda que com um número expressivo de eleitores indecisos, temo que a aposta da extrema direita esteja se consolidando.
E nós todos vamos caminhando para um voo no vazio.
Como nos ensinou o imbatível Millôr Fernandes: “O segredo da política é fazer um pacto com o diabo e depois dizer que o diabo é o outro”.

Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay