Arte kakay (15/10/2026)Imagem gerada com IA
“O que te assombra, estrangeiro, se o mundo é a pátria em que todos nós vivemos, paridos pelo caos.”
Meleagro de Gadara, 100 a. C.
Meleagro de Gadara, 100 a. C.
Como advogado criminal, eu sei o que é o susto do cidadão, da família, quando surge a determinação de prisão, ou mesmo a hipótese de uma prisão. É um desespero profundo e é muito raro encontrar alguém que, nessa hora, tenha estabilidade emocional. Por isso, eu entendo, e até respeito, algumas atitudes atabalhoadas e agressivas do candidato Flávio Bolsonaro e de sua família. Algumas outras, óbvio que eu não respeito. Há uma situação completamente inusitada. O Flávio tem investigações que apuram peculato, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa em várias frentes. Desde “rachadinha” até Daniel Vorcaro. O pai está preso, condenado a 27 anos. O irmão Eduardo está condenado e com mandado de prisão nas ruas. É foragido da Justiça. Até as pedras de Brasília sabem que os outros membros da família estão na mira. Ou seja, é uma hipótese rara de prisão familiar.
O que torna o caso mais interessante e inusitado é que o candidato Flávio Bolsonaro tem que jogar todas as suas fichas na eleição para presidente da República. Se for eleito, ele não poderá ser processado por crimes anteriores à posse. Ou seja, ele busca a imunidade. E, com a maioria que a ultradireita obteve no Congresso, poderá anistiar a família condenada. É um caso único no mundo: ele está entre a Papuda e o Palácio. Podem ter certeza de que fará uma campanha sem limites. É um instinto natural de sobrevivência.
O que é ruim é que tudo isso ocorra em plena campanha eleitoral para presidente da República. Esse bando miliciano coloca em risco a estabilidade democrática em nome de um projeto pessoal, para tentar não ir para a cadeia. No caso, um projeto de buscar saídas contra a prisão. É deprimente e humilhante. O candidato não fará nenhum esforço para manter a normalidade democrática. Sabe que, ou será presidente da República ou prisioneiro. E não é uma hipótese de preso político, que contém uma forte carga de simbolismo. É preso comum. Corrupto. Quadrilheiro. Miliciano. Se tivesse honra, ficaria humilhado. Mas, está em família na trama que eles mesmos teceram. O país que fique atento. O candidato e todos seus asseclas estão dispostos a tudo. Quando o cheiro de cadeia bate, o desespero é brutal.
Como ensinou Drummond, no poema “Os ombros que suportam o mundo”: “Chegou um tempo em que não adianta morrer. Chegou um tempo em que a vida é uma ordem. A vida apenas, sem mistificação.”
Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay

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