Indústria fluminense: o desenvolvimento do estado do Rio de Janeiro precisa unir capital e interiorEBC
Dois Rios em um só: a fusão que falta acontecer
Nova secretaria valoriza o interior fluminense, mas é urgente um plano estratégico que una todo o estado do Rio de Janeiro.
Em diversas ocasiões, ocupei este espaço para falar sobre a fusão que precisa ser efetivada: a dos estados do Rio de Janeiro e da Guanabara. Embora unidos por decreto em 1975, a antiga capital do país e o interior fluminense ainda caminham de formas separadas. Temas locais são tratados de forma isolada.
A criação da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional do Interior, Pesca e Agricultura Familiar, regulamentada pela Lei 10.811/25, sancionada na última quinta-feira (12), surge como uma boa notícia neste cenário. A nova pasta ficará responsável pela Emater e pela Fiperj, que antes eram vinculadas à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e abastecimento. Para a gestão da nova pasta, o governador Cláudio Castro convidou o deputado estadual Jair Bittencourt, que é natural de Itaperuna.
Conhecendo a competência de Jair Bittencourt e seu compromisso com o interior, tenho esperança em grandes projetos. Desejo a ele muito sucesso nesta nova e importante empreitada. Porque o interior fluminense precisa, sem dúvida, de políticas que valorizem seus potenciais. A criação de uma secretaria específica para essa região tão importante, com toda a certeza, é uma excelente notícia. Um passo, entre muitos que precisam ser dados.
O interior reúne uma diversidade de potenciais econômicos que, se bem explorados, podem impulsionar o desenvolvimento. A agropecuária representa uma das bases da economia no Norte/Noroeste Fluminense. O setor metalmecânico impulsiona o Sul do estado, com destaque para o cluster automotivo. A indústria naval e offshore, o turismo rural e ecológico nas serras, além do artesanato, da agricultura familiar e das energias renováveis, completam esse mosaico de oportunidades. Essas vocações locais, aliadas a instituições de ensino e pesquisa já instaladas no interior, formam um ecossistema propício à inovação e ao fortalecimento da economia regional.
Mas os desafios são proporcionais aos potenciais. A ausência de um sistema de logística eficiente, com estradas mal-conservadas, ferrovias desativadas e pouca integração entre modais, dificulta o escoamento da produção e afasta investimentos. Faltam políticas públicas contínuas de apoio ao setor produtivo. A ampliação do acesso à internet de qualidade, a reestruturação de polos industriais e a oferta de formação técnica são medidas urgentes. O interior precisa estar incluído em um projeto de desenvolvimento de estado que conecte infraestrutura, inovação e inclusão produtiva, valorizando as especificidades de cada território.
É preciso ir além. Para que a desejada união entre Rio de Janeiro e Guanabara seja uma realidade, o Governo do Estado precisa articular órgãos públicos, lideranças políticas, empresariais e sociedade civil na construção de um plano estratégico de curto, médio e longo prazo. Um planejamento que vá além das ações pontuais, emergenciais e políticas com visão eleitoral, e que coloque todos os territórios do estado — do interior à Região Metropolitana — no mesmo mapa de desenvolvimento.
Este conjunto de políticas tem nome: plano estratégico. E um plano bem estruturado é o alicerce para qualquer política pública eficaz. Ele permite identificar vocações regionais, corrigir desigualdades históricas, estabelecer metas claras e mensuráveis e, principalmente, oferecer segurança e previsibilidade para quem quer investir. Estados como São Paulo e Espírito Santo se destacam justamente por essa visão de futuro, com estratégias coordenadas que atraem negócios, promovem inovação e impulsionam o crescimento econômico em todas as regiões.
Chegou a hora de o Rio de Janeiro superar divisões herdadas do passado e construir um projeto coletivo, com base em diálogo, planejamento e metas comuns. Só assim teremos um estado verdadeiramente unido — forte na capital, forte no interior, e pronto para enfrentar os desafios do século XXI.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.