A Reduc se integrará ao Complexo Boaventura para produção de derivados de petróleo e novas fontes energéticasAndré Motta de Souza/Agência Petrobras
Rio de Janeiro, o estado de energia
Com novos investimentos na Reduc e no Complexo Boaventura, o Rio de Janeiro avança como protagonista da transição energética no Brasil.
O Rio de Janeiro sempre teve vocação para o protagonismo. Da cultura à economia, da beleza natural às riquezas do subsolo, é um estado que pulsa com intensidade própria. E quando se fala em petróleo e gás, essa vocação se transforma em liderança. Maior produtor do país, o Rio não apenas sustenta essa posição — agora, prepara-se para ir além, colocando o Brasil na rota da autossuficiência na produção de derivados do petróleo.
Na última sexta-feira (4), na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciaram a retomada de investimentos bilionários no setor de refino e petroquímica. Serão mais de R$ 33 bilhões — R$ 29 bilhões da Petrobras e R$ 4 bilhões da Braskem — que prometem movimentar a economia fluminense, gerando mais de 38 mil empregos e reposicionando o estado como referência em inovação energética.
O projeto mais ambicioso é o Complexo de Energias Boaventura, em Itaboraí, que será conectado à Reduc. Serão investidos R$ 26 bilhões numa estrutura que vai ampliar a produção de diesel S-10, querosene de aviação, lubrificantes de alto desempenho e, o mais simbólico: combustíveis renováveis, como o SAF (Sustainable Aviation Fuel) e o HVO (Hydrotreated Vegetable Oil). Combustíveis que apontam para um futuro mais limpo, mas que já começam a ser testados em solo fluminense.
É como se o passado e o futuro se encontrassem em um mesmo ponto de combustão. A tradição do refino se junta à inovação da energia sustentável. E não para por aí. A Reduc também poderá assumir um novo papel com o rerrefino de óleos lubrificantes usados — um projeto que aplica o conceito de economia circular e transforma resíduos em produtos de alto valor. A ideia já tem aval da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e deverá sair do papel em breve.
No campo da petroquímica, a Braskem — empresa da qual a Petrobras tem 47% do capital votante — planeja ampliar sua planta de polietileno, o que pode representar 230 mil toneladas a mais por ano. Com gás natural vindo da Rota 3, a cadeia se fecha com eficiência e integração. Há ainda projetos para produção de ácido acético, monoetileno glicol e até uma nova central termelétrica.
Nada disso é por acaso. É resultado de planejamento, tecnologia e, acima de tudo, visão estratégica. O Rio está se preparando não só para manter sua liderança, mas para expandi-la. Porque energia não é só o que sai dos dutos e turbinas. Energia é movimento. É vocação. É capacidade de olhar para frente.
Diante dos novos desafios da transição energética, o Rio de Janeiro reafirma seu papel. Mais que um estado produtor, é um estado de energia.

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