Cirurgia no Hospital Ferreira Machado: a saúde de Campos precisa do cofinanciamento previsto em leiIsabella Corrêa/divulgação

Quando se trata de cuidar dos interesses do povo, todas as lideranças políticas precisam estar do mesmo lado. Essa máxima se comprova na recente decisão do Governo do Estado do Rio de Janeiro de retomar o cofinanciamento dos serviços de urgência e emergência dos dois principais hospitais públicos de Campos dos Goytacazes: o Hospital Ferreira Machado (HFM) e o Hospital Geral de Guarus (HGG), que são referência para Campos e oito municípios da região.
A medida foi oficializada por meio da Resolução SES nº 3666, publicada no Diário Oficial desta segunda-feira (21), e garante ao município um aporte mensal de R$ 5,5 milhões, totalizando R$ 66,2 milhões ao longo de 2025. O cofinanciamento é previsto por lei, uma vez que a saúde pública é de responsabilidade compartilhada pela União, estados e municípios. No entanto, ele havia sido suspenso no dia 23 de junho pelo então governador em exercício, Rodrigo Bacellar.
O retorno do cofinancimento ocorre após a reação de diversas entidades de Campos e de municípios da região, sob a liderança do prefeito de Campos, Wladimir Garotinho. A pressão também veio de ações do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro, através da 3ª Promotoria de Tutela Coletiva de Campos dos Goytacazes. Em parecer técnico, o Grupo Técnico de Apoio Especializado (Gate), do Ministério Público, chegou a rebater a justificativa do governo estadual de que a suspensão ocorreu por insuficiência de recursos financeiros.
A recomposição também acontece após um período de incerteza e prejuízos para a gestão da saúde pública municipal. Em 2021, Campos recebeu R$ 200 milhões em repasses estaduais; em 2022, R$ 140 milhões; em 2023, R$ 90 milhões. Em 2024, o valor caiu drasticamente para R$ 20 milhões, Em 2025, até então, não havia previsão de qualquer repasse.
O episódio evidencia que, diante das necessidades reais da população, a política deve dar lugar à responsabilidade pública. A saúde não pode esperar, tampouco ser refém de disputas institucionais. Nesse contexto, a mobilização em torno da retomada dos repasses demonstra que é possível — e necessário — construir consensos em torno do que mais importa: a vida e o bem-estar da população. A cidade de Campos e os municípios do Norte Fluminense agradecem quando o bom senso e o compromisso com o povo prevalecem.