Os programas de qualificação profissional, como o Qualifica Maricá, estão em sintonia com o novo mercado de trabalhoElsson Campos/Prefeitura de Maricá

Durante boa parte do século XX, o petróleo foi o principal motor da economia do Rio de Janeiro. Mas o século XXI já mostra uma nova realidade: o crescimento dos empregos ligados à energia limpa, tecnologia e novas formas de produção. A grande questão não é se o petróleo vai perder espaço, mas como preparar as pessoas para aproveitar as oportunidades que vêm além dele.
Esse movimento já começou, em várias frentes. O Porto do Açu, em São João da Barra, se organiza para receber a energia eólica offshore — aquela gerada por turbinas no mar. A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e o Senai também estão de olho no futuro: além de ampliar vagas em cursos de logística, construção civil, renováveis e tecnologia, ajudam a formar trabalhadores para áreas como hidrogênio de baixo carbono e energia eólica no mar.
As prefeituras também estão fazendo a sua parte. No Rio, há projetos que unem cursos de energia solar com educação ambiental em espaços culturais, dando chance a jovens e trabalhadores em transição. Em Maricá, o programa Qualifica Maricá oferece cursos regulares ligados ao mercado e ao empreendedorismo local. Em Campos, as políticas públicas se abrem para a criação de distritos florestais e atração de empresas no segmento da energia solar. Universidades públicas, especialmente entre Macaé e Campos, oferecem especializações e mestrados em clima, energia e água, preparando profissionais para novas indústrias.
O desafio que se impõe é formar pessoas para o novo mercado de trabalho. Será preciso mover esforços para a capacitação de profissionais a partir de áreas básicas, como elétrica, mecânica, leitura de projetos e segurança, para depois avançar em formações mais específicas, como operação de guindastes, içamento de cargas, montagem de equipamentos eólicos e inspeção técnica. Também ganham peso os conteúdos ligados à automação, internet das coisas, análise de dados e manutenção preditiva, além de temas importantes como comunicação, diversidade, sustentabilidade, empreendedorismo e cooperativismo.
Para que tudo isso funcione bem, é preciso planejamento. Isso inclui mapear quais profissões serão mais necessárias, alinhar cursos com o calendário das grandes obras, oferecer bolsas para jovens, mulheres e pessoas em situação de vulnerabilidade e adotar certificados rápidos que acelerem a entrada no mercado de trabalho. O sucesso pode ser medido por indicadores simples: mais gente empregada, mais diversidade, mais certificados conquistados e melhores salários.
O pós-petróleo no Rio de Janeiro não precisa ser visto como ameaça, mas como uma chance de renovação. Onde há porto estruturado, novas indústrias e ensino preparado, há emprego de qualidade. Os projetos em andamento já provam: é possível — e urgente — transformar a herança do petróleo em capital humano para a nova economia do estado.