O Canal das Flechas, entre Campos e Quissamã, tem as condições ideais para a construção de um terminal pesqueiroCésar Ferreira
O Rio como protagonista na indústria pesqueira
Construção de terminais pesqueiros pode potencializar a atividade no estado do Rio de Janeiro, que tem o 7º maior litoral do Brasil.
Uma reunião na última terça-feira (5) na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) colocou em pauta um tema fundamental: a recuperação da indústria pesqueira fluminense.
Com 635 quilômetros de litoral, sendo o 7º estado brasileiro com maior extensão litorânea, o Rio ainda carece de infraestrutura para suporte a um mercado que tem um potencial gigantesco. Consumimos em média 10,5 quilos de pescado por ano – quando a Organização das Nações Unidas (ONU) recomenda um mínimo de 12 quilos. Sem falar na possibilidade de venda para outros estados e, quem sabe, outros países. Mas falta infraestrutura básica.
Uma das soluções debatidas pela Firjan - juntamente com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Interior, Pesca e Agricultura Familiar, Sindicato da Indústria do Pescado do Estado do Rio de Janeiro (Siperj) e outras instituições envolvidas no setor – é a implantação de um complexo pesqueiro no bairro carioca do Caju, numa área adquirida pelo Governo do Estado junto ao antigo Estaleiro Caneco.
O investimento se justifica. Como observado pelo presidente do Siperj, Sérgio Ramalho, atualmente muitos reparos dos barcos precisam ser realizados em Itajaí (SC), distante cerca de 900 quilômetros. Assim como embarcações fluminenses são reformadas no Sul, barcos catarinenses pescam em grande quantidade no litoral do Rio, pois, no retorno, têm a certeza de um local para escoar e beneficiar sua produção.
Chamo a atenção para uma outra solução viável e já planejada: a construção do Terminal Pesqueiro do Farol de São Thomé, no litoral entre Campos dos Goytacazes e Quissamã. O projeto é apontado pelo setor pesqueiro como vital para dinamizar a atividade não apenas nos municípios do norte do estado, mas em todo o litoral fluminense.
O ponto de partida seria a dragagem do Canal das Flechas, que liga a Lagoa Feia ao mar. O aprofundamento do leito tornará possível a construção de um terminal dotado de píeres, estaleiros, galpões, fábricas de gelo, posto de combustível para os barcos, unidades de beneficiamento do pescado e – quem sabe - até uma escola de pesca.
Quem mora no Norte Fluminense sabe da importância do projeto. A construção do Terminal Pesqueiro colocará fim a uma das maiores aberrações que envolvem o setor: na praia do Farol de São Thomé, importante colônia de pesca, os barcos precisam ser rebocados por tratores para entrar e sair do mar, sob o risco constante de acidentes.
Ao mesmo tempo, a dragagem do Canal das Flechas abrirá caminho para um dos empreendimentos mais importantes da região: a construção do Complexo Logístico Farol/Barra do Furado. Sonhado há muitos anos, será um conglomerado de empresas voltadas à logística e apoio às atividades offshore na Bacia de Campos, abrindo uma nova janela de oportunidades em outro setor que não para de crescer: o de óleo & gás.
Para que tudo isso aconteça, precisa haver vontade política e união entre governos e iniciativa privada. Assim como o terminal do Caju, um terminal no norte do estado será capaz de colocar o Rio como protagonista no setor pesqueiro. Num estado com enorme potencial de crescimento, as oportunidades estão batendo à porta. É hora de agir.

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