As micro e pequenas empresas são cerca de 99% de todas as empresas brasileiras e respondem por 30% do PIBElza Fiúza/Agência-Brasil
Pensar nos pequenos é pensar grande
Os micro e pequenos negócios seguem impulsionando empregos, renda e inclusão — e mostram que pensar neles é pensar no futuro do Brasil.
Em diversas ocasiões, ocupei este espaço para defender a relevância dos pequenos negócios na economia do Brasil. Neste momento de profundas incertezas econômicas diante de uma guerra tarifária injusta, reforço este discurso, dobrando meu tom de otimismo e de esperança.
Para se ter uma ideia dos números que envolve este segmento da economia, ao longo de 2024 os microempreendedores individuais (MEIs), microempresas (MEs) e empresas de pequeno porte (EEP) criaram 1.222.972 de empregos formais, o que representou 70% de todos os empregos gerados no país durante o ano. As micro e pequenas empresas são cerca de 99% de todas as empresas brasileiras, respondendo por aproximadamente 30% do Produto Interno Bruto (PIB).
Quanto à formalização de novos negócios, no primeiro trimestre de 2025, foram abertas 1,407 milhão de empresas, das quais 78% foram MEIs, 18,6% foram microempresas e 4,1%, empresas de pequeno porte. Existem mais de 11 milhões de MEIs ativos, dos quais 90% estão em atividade.
Esta visão é amplamente compartilhada pelo Sebrae. Na semana passada, durante a abertura do encontro “Transformar Juntos”, realizado em Brasília (DF), o presidente da instituição, Décio Lima, destacou que reforçar o processo de inclusão do povo brasileiro passa, necessariamente, pelos pequenos negócios. A fala reforça o papel dos MEIs, micro e pequenas empresas não apenas na economia – como mostram os números de geração de emprego e contribuição para o PIB – mas também como motores do desenvolvimento local e da inclusão produtiva.
A aposta nos pequenos também se traduz em ações concretas, como a Plataforma Contrata + Brasil, que cadastra microempreendedores individuais para executarem pequenos serviços nas administrações públicas. Esta ferramenta já conecta mais de 700 órgãos públicos a MEIs para a prestação de serviços nos municípios, promovendo geração de renda e movimentando a economia local. Num mercado interno que oferece inúmeras oportunidades, cada vez mais trabalhadores informais estão enxergando a vantagem de se formalizarem e contarem com um CNPJ. Muitos crescem e se tornam empresas mais robustas.
Um dos municípios que estão levando isso a sério é Campos dos Goytacazes. Através de ações como a desburocratização de processos de legalização, a integração de diversos órgãos e as compras de fornecedores locais, o número de MEIs aumentou 33% no município em apenas quatro anos. Porque, num mercado interno que oferece inúmeras oportunidades, cada vez mais trabalhadores informais estão enxergando a vantagem de se formalizarem e contarem com um CNPJ. Muitos crescem e se tornam empresas mais robustas.
Mesmo diante de um cenário internacional instável, os pequenos negócios seguem mostrando sua força, sustentados por um mercado interno dinâmico e cheio de potencial. É justamente nessa base da economia que reside a capacidade de gerar empregos, distribuir renda e garantir que o Brasil avance com inclusão e sustentabilidade. Ao fortalecer esse ecossistema, o país não apenas resistirá melhor a pressões externas, como também construirá um caminho mais sólido e democrático de crescimento. Pensar nos pequenos, mais do que nunca, é garantir um futuro grande para todos.

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