A utilização da técnica ILPF combina o plantio de florestas com a agricultura e a pecuária numa mesma áreaCNA/Wenderson/Trilux
A hora da pecuária fluminense é agora
Com vastas áreas e tecnologias como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, o estado do Rio pode se expandir a produção e exportação de carne e madeira cultivada.
Imagine uma imensidão de pastos verdes, muitos ainda subaproveitados, prontos para alimentar um novo ciclo de desenvolvimento econômico no estado do Rio de Janeiro. Essa paisagem existe. Está em todo o estado — em especial no Norte/Noroeste Fluminense, região com tradição agrícola e vocação natural para a pecuária, mas que ainda não alcançou o protagonismo que merece. Agora, com o mundo de olho na carne brasileira e com a utilização de novas técnicas, esse cenário pode mudar.
Com o Brasil consolidando sua posição como um gigante global na produção de proteínas animais, participando com 28% do mercado internacional de carnes, as terras fluminenses podem entrar em cena com força. Bate à porta a oportunidade de uma pecuária intensiva, mais moderna, eficiente e alinhada às exigências do mercado global.
Com milhares de hectares de terras agrícolas disponíveis, o Norte/Noroeste enfrenta o drama recorrente da estiagem — o clima da região, inclusive, está prestes a ser classificado como semiárido por força de lei. As estiagens intensas e recorrentes e a degradação da terra pelo cultivo de muitas décadas provocaram um desgaste da terra que dificulta o plantio de pastagem, necessário à alimentação do gado. O custo da utilização e acesso a novas tecnologias sustentáveis de produção dificultou ainda mais a mudança deste cenário.
Mas este cenário está mudando. Uma das revoluções nos campos da região é a utilização da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), uma técnica de produção que combina o plantio de florestas com a agricultura e a pecuária numa mesma área, seja em consórcio ou em rotação. Esta solução moderna e eficiente possibilita recuperar solos improdutivos e transformar áreas degradadas em sistemas de produção sustentáveis e lucrativos.
A produção de madeira funciona em sintonia com a preservação e ampliação da Reserva Legal (RL) e das Áreas de Proteção Permanente (APP), possibilitando ganhos ambientais relevantes, com produção de água na recuperação de nascentes, regeneração ambiental e sequestro de carbono.
O plantio de florestas consorciado com a pastagem promove um microclima que favorece o bem-estar animal, o que resulta em ganhos relevantes de produção de carne ou leite. Pastagens de melhor qualidade, solo mais fértil e manejo zootécnico moderno tornam possível o aumento da produção de gado por hectare.
Com sua logística portuária, o Rio se conecta diretamente com mercados em plena expansão e outros que já figuram entre os maiores compradores da carne brasileira. Na exportação de gado ou carne bovina, reside uma excelente oportunidade para fortalecimento desta cadeia produtiva, com ganhos em todo o estado.
Não se trata apenas de produzir e exportar gado ou carne; trata-se de transformar a realidade do campo. Incentivar uma pecuária sustentável é impulsionar a economia do estado, gerar empregos, ativar o comércio, valorizar o produtor rural e manter as famílias em suas terras com dignidade e renda. É dar novo ritmo ao interior do Rio, que tem muito a oferecer, mas que por anos ficou à margem de grandes oportunidades.
Com planejamento, políticas públicas bem direcionadas, técnicas adequadas e participação da iniciativa privada, o estado do Rio de Janeiro pode transformar terras hoje subutilizadas em motores de uma nova economia. E a Região Norte/Noroeste Fluminense tem tudo para se tornar uma grande produtora e exportadora, conectando o campo fluminense aos quatro cantos do planeta. Não é conversa mole para boi dormir; é fato, e é oportunidade.

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