Com baixo custo de geração, a energia eólica onshore no Brasil está no patamar de preço comparável ao da China Divulgação/Ari-Versiani/PAC
Oportunidade verde: energias renováveis se tornam mais rentáveis
Rio de Janeiro tem potencial para liderar a transição energética no Brasil, unindo sua vocação no setor de óleo & gás ao futuro das fontes solar e eólica.
Apesar de liderar a produção de petróleo no Brasil numa situação confortável, o estado do Rio de Janeiro precisa olhar com atenção para os sinais da transição energética global. Na última terça-feira (22), a Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA) divulgou um relatório que escancara a força crescente das fontes limpas de energia e sua competitividade econômica diante dos combustíveis fósseis.
Segundo o documento, em 2024, as energias renováveis seguiram dominando o cenário mundial em termos de custo-benefício. As tecnologias solar e eólica não apenas evitaram a emissão de bilhões de toneladas de CO₂, como também impediram que o mundo gastasse cerca de 467 bilhões de dólares com petróleo, gás e carvão. O recado é claro: a energia limpa já é, na maioria dos casos, a opção mais barata.
Cerca de 91% dos projetos renováveis comissionados no último ano foram mais econômicos do que qualquer alternativa fóssil recém-projetada. A energia solar fotovoltaica, por exemplo, foi em média 41% mais barata que sua alternativa fóssil de menor custo, enquanto a eólica onshore apresentou vantagem ainda maior — 53% mais barata.
No Brasil, o movimento segue essa tendência. O país encerrou 2024 como o quarto maior mercado global em novas adições de capacidade renovável, ficando atrás apenas de China, Estados Unidos e União Europeia. E mais: o Brasil segue entre os países com os menores custos de geração. A energia eólica onshore por aqui está no patamar de 30 dólares por megawatt-hora (MWh) — valor comparável ao da China —, enquanto a solar fotovoltaica custa cerca de 48 dólares/MWh.
Neste cenário, o Rio de Janeiro precisa se reconhecer como um verdadeiro “estado de energia” — não apenas fóssil, mas também renovável. O estado reúne condições privilegiadas para ampliar sua matriz energética limpa: alta incidência solar, litoral extenso com potencial eólico, centros urbanos com demanda crescente e uma base tecnológica e industrial já consolidada.
Se aproveitar seu potencial, o Rio não apenas consolidará sua posição como maior produtor de petróleo, mas também pode se transformar em protagonista da transição energética brasileira. A hora de investir em renováveis não é amanhã — é agora.

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