Jogadores do Flamengo celebram a classificação pra final da LibertadoresAdriano Fontes / Flamengo
O segredo do domínio de Flamengo e Palmeiras
Gestão profissional, transparência financeira e elencos equilibrados explicam por que Flamengo e Palmeiras seguem no topo do futebol brasileiro.
Não há como negar: duas forças hoje dominam o futebol brasileiro. O “milagre” do Palmeiras na goleada da noite de quinta-feira (30) contra a LDU mostrou a força do time dirigido por Abel Ferreira. Na véspera, o Flamengo de Filipe Luís assegurou na raça, contra o Racing, seu direito de disputar a quinta final da Libertadores, justamente contra o Verdão. No Campeonato Brasileiro, os dois lideram a tabela – e é quase certo que um deles levantará a taça. Contra fatos, não há argumentos (me perdoem os torcedores dos outros times, pelos quais tenho um grande respeito).
Tem muito talento por trás esses resultados. Mas tem além disso. Além dos gramados, as duas equipes colhem o sucesso por estratégias financeiras que lhes deram sustentabilidade e capacidade de investimento. Ao olhar a última década, é possível identificar algumas decisões financeiras e de governança que diferenciam os dois clubes e explicam, em grande parte, a sustentação do seu alto desempenho em campos.
A primeira decisão que salta aos olhos é a profissionalização e transparência das demonstrações financeiras. Os dois clubes passaram a publicar relatórios, balanços e balancetes com maior regularidade — prática que melhora controle, facilita negociação com patrocinadores e credores e dá mais previsibilidade ao planejamento esportivo. Seus portais de transparência disponibilizam demonstrativos periódicos.
A diversificação de receitas responde por outra fatia importante deste sucesso. Direitos de TV, patrocínios, bilheteria/arena, sócios e — crucialmente — negociações de atletas (transferências) passaram a compor a estratégia de receita, reduzindo vulnerabilidade a choques em um único fluxo. Relatórios setoriais, aliás, mostram que os principais clubes brasileiros aumentaram suas receitas operacionais ao longo do período recente; um indicativo de que a briga pelos títulos tende a se tornar mais acirrada.
Nos últimos dez anos, o Flamengo trabalhou para transformar sua marca em ativo comercial. Ampliou patrocinadores, aumentou a monetização de conteúdos, intensificou programas de sócio-torcedor e utilizou ao máximo a exposição do clube de maior torcida no Brasil. O Rubro-Negro também explorou bem o mercado de transferências e a valorização de jogadores, permitindo equilibrar rodízios de investimento em elencos competitivos sem depender exclusivamente de capital externo. O resultado foi a capacidade de montar um elenco com profundidade técnica e pagar salários e custos operacionais competitivos.
O caso do Palmeiras é marcado por dois vetores claros: aporte comercial/financeiro e foco em estrutura esportiva profissionalizada. O clube teve investimentos de patrocinadores e parceiros que permitiram contratar e renovar elencos de alto nível; concomitantemente, trabalhou na redução e reorganização de dívidas contraídas em anos anteriores. Nem tudo foi simples. Ao mesmo tempo em que reduziu suas dívidas, o clube precisou gerir outras obrigações (empréstimos bancários, custos com folha, investimentos em infraestrutura). A combinação de patrocínios, marketing e negociações de atletas permitiu o controle do endividamento e assegurou que o Palmeiras mantivesse competitividade internacional.
O resultado está aí. Nos últimos anos, Flamengo e Palmeiras têm sido presença garantida nos principais torneios, com dezenas de troféus erguidos. Há que se louvar o esforço sobre-humano dos atletas e a visão tática dos técnicos. Mas não se pode negar que a presença no topo das tabelas também é consequência de estratégias financeiras e administrativas que geraram capacidade de investimento, controle de riscos e sustentabilidade.
As finais se aproximam, e o país inteiro se prepara para mais um grande duelo entre as duas potências do futebol nacional. Flamengo e Palmeiras chegam ao ápice da temporada como resultado de talento, trabalho e gestão exemplar. Que vença o melhor — e que o espetáculo dentro de campo esteja à altura da grandeza desses dois clubes.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.