Centro de Controle Operacional de Campos: integração entre órgãos de segurança gera bons resultadosCésar Ferreira
O interior do estado do Rio enfrenta a violência
O avanço das facções criminosas exige resposta firme, integração das forças de segurança e políticas capazes de devolver tranquilidade às famílias do interior
Durante anos, a violência no Rio de Janeiro parecia uma realidade concentrada na capital. As imagens exibidas diariamente pela televisão mostravam comunidades sitiadas, confrontos armados, operações policiais e uma rotina em que o medo passou a fazer parte da paisagem. Aos poucos, porém, essa fronteira deixou de existir.
O crime organizado avançou pelo interior fluminense. Facções criminosas passaram a ocupar territórios, disputar mercados e ampliar sua presença em municípios como Campos, Macaé, Itaperuna e São João da Barra, espalhando apreensão por toda a região. O resultado é uma mudança silenciosa, mas profunda, na rotina das famílias. A pergunta que antes parecia distante hoje está cada vez mais próxima: é possível caminhar pelas ruas à noite sem medo? É possível ficar tranquilo quando um filho sai de casa para estudar, trabalhar ou simplesmente brincar em uma praça?
Quando a violência chega à porta de casa, deixa de ser apenas uma estatística. Torna-se uma preocupação cotidiana, uma mudança de hábitos, um olhar mais atento ao redor e, muitas vezes, a decisão de não sair de casa depois de determinado horário. Diante desse cenário, a segurança pública precisa deixar de ser tratada apenas como reação ao crime. É necessário enfrentar as organizações criminosas com inteligência, integração entre as forças de segurança e presença efetiva do Estado.
Uma das propostas defendidas é o endurecimento do combate às facções criminosas, com o enquadramento de organizações como Comando Vermelho e PCC na legislação aplicável ao terrorismo, quando preenchidos os requisitos legais para tal classificação. Também se defende uma revisão das regras de execução penal, com penas mais rigorosas para crimes graves, como homicídio, assalto, tráfico de drogas, estupro e violência contra a mulher, além da revisão de mecanismos como saidinhas e progressão de regime.
A experiência de Campos mostra que há caminhos possíveis. Durante a administração do então prefeito Wladimir Garotinho, foram ampliados os efetivos da Guarda Municipal e criado o Centro de Controle Operacional, aproximando as forças policiais e utilizando inteligência, integração e monitoramento por câmeras como instrumentos de prevenção e combate à criminalidade. A política de vigilância e integração teve sequência na gestão do atual prefeito, Frederico Paes.
Esse modelo pode – e deve – ir além dos limites de um município. Afinal, o crime organizado não respeita divisas administrativas. Se as facções atuam de forma articulada, o poder público também precisa agir de maneira integrada. Segurança pública não se resume a discursos ou operações pontuais. Exige planejamento, investimento, tecnologia, inteligência e autoridade do Estado. Exige, sobretudo, que o cidadão de bem volte a sentir que as ruas, as praças e os espaços públicos pertencem a ele.
O interior do Rio não pode aceitar que o medo se torne parte permanente da paisagem. Os desafios são recuperar o território, fortalecer as instituições e garantir que a lei prevaleça. Com firmeza, dentro da legalidade e com respeito a quem mais precisa de proteção: o cidadão.

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