A EJA prova que nunca é tarde para aprender e construir uma nova históriaDivulgação Secom/Prefeitura de Macaé

Há oportunidades que chegam na hora certa; outras precisam esperar alguns anos. Para milhões de brasileiros, estudar não foi possível no tempo esperado – a necessidade de trabalhar cedo, as dificuldades econômicas, a responsabilidade com os filhos e outras circunstâncias fizeram com que a escola ficasse pelo caminho. A Educação de Jovens e Adultos (EJA) existe justamente para transformar essa interrupção em recomeço. E o Brasil precisa olhar para esse recomeço com muito mais atenção.
Uma pesquisa da Fundação Itaú, baseada em microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua entre 2014 e 2022, revela números poderosos. Entre jovens de 19 a 29 anos, concluir a EJA aumentou em 7 pontos percentuais a chance de conseguir um emprego formal e elevou, em média, 4,5% a renda mensal do trabalho. Entre aqueles de 19 a 24 anos, o efeito foi ainda maior: a probabilidade de formalização cresceu quase 10 pontos percentuais, enquanto a renda aumentou, em média, 9,6%.
Não é pouca coisa. Para esses trabalhadores, costuma ser a diferença entre permanecer preso a ocupações de baixa remuneração e ter condições de disputar uma oportunidade melhor. Entre trabalhar apenas para sobreviver e começar a construir uma trajetória profissional com mais possibilidades. Por isso, a EJA não pode ser vista apenas como uma política para corrigir uma dívida educacional, e sim como uma política de emprego, renda e desenvolvimento.
O trabalhador que conclui sua educação básica ganha mais do que um certificado – ganha condições para interpretar informações, utilizar tecnologias, compreender documentos, desenvolver novas competências e continuar aprendendo. E, em um mercado de trabalho que muda numa velocidade cada vez maior, a capacidade de aprender é uma das conquistas mais importantes de todas.
Há ainda um detalhe que os números não conseguem contar completamente: quando um adulto retorna à escola, não está apenas retomando uma trajetória individual. Muitas vezes, está dando um exemplo dentro de casa. Filhos e netos passam a enxergar a educação de outra maneira. A sala de aula deixa de ser lembrança distante e volta a fazer parte da rotina familiar. É assim que uma política pública pode produzir efeitos que ultrapassam a matrícula.
Fortalecer a EJA significa acreditar que ninguém deve ser definido pela idade em que voltou a estudar; significa entender que um cidadão que conclui sua formação aos 30, 40, 50 ou 60 anos não chegou tarde demais – chegou no momento em que conseguiu. E quando a educação consegue transformar esse momento em oportunidade de emprego, renda e autonomia, a EJA deixa de ser apenas uma segunda chance. Passa a ser uma das grandes estradas para o Brasil formar cidadãos, qualificar sua força de trabalho e construir um futuro menos desigual.