Ele falou sobre o assunto em uma postagem no InstagramReprodução/Instagram
O eterno Agostinho Carrara, de "A Grande Família", primeiro sugeriu que o público lesse um artigo do escritor Aquiles Argolo, que fala sobre o racismo no país. Esta foi a única vez que ele citou diretamente o nome de Lins no texto publicado no Instagram.
Em seguida, Cardoso avaliou que a stand-up comedy acabou se tornando um ambiente fértil para o crescimento de discursos autoritários disfarçados de humor. “Não todos, mas tantos comediantes de stand-up se permitiram as mal-educações fascistas, que se pode dizer de uma generalidade com exceções. Comediantes com mensagens fascistas valeram-se do stand-up e disfarçaram de entretenimento teatral cômico o que era discurso político agressivo. Violentaram o teatro”, escreveu ele.
Ele também refletiu sobre os impactos disso nas artes e na sociedade: "Pessoas de lados opostos fizeram o mesmo. Acirra-se, assim, a violência e a conversa pacífica é destruída, atendendo ao interesse dos autoritários. E o teatro, lugar da provocação pela dialética, é reduzido a palanque de agressores, originais ou reativos. Teatro sem personagem é uma doença do autoritarismo. O público hoje já tem dificuldade de rir de um personagem agressivo por receio de estar aprovando, com seu riso, o que seria a agressividade da pessoa que o representa. Confusão provocada por comediantes irresponsáveis", analisou o artista.
O ex-global finalizou o texto afirmando que discursos ofensivos mascarados como piadas precisam ser responsabilizados, desde que não estejam inseridos em uma obra ficcional. "Não há crime em ato ficcional narrativo. Personagens são fantasmas imateriais. Mas quando o autor toma o lugar do personagem, o ato ficcional se torna disfarce onde se esconde um ato real. Questão de imensa sutileza. Criminalizaremos os versos misóginos do Funk? Nunca se quem os estiver dizendo for o personagem que canta. Mas devemos criminalizar a piada racista, ou a misoginia, quando o ato já não for ficcional, ainda que disfarçado de o ser."

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