Ele também afirmou que o 'pobre, preto e favelado' são os mais criminalizados por issoReprodução/Instagram

O cantor MC Cabelinho participou, na madrugada desta sexta-feira (6), do programa "Conversa com Bial", onde falou sobre sua vivência como morador de comunidade, além de ter feito uma análise detalhada sobre letras de músicas que são apontadas como apologia ao crime. A entrevista foi gravada no dia da prisão de MC Poze do Rodo e o artista afirmou que muitos funkeiros cantam o dia a dia da comunidade. Ele ainda disse que, para que isso acabe, a realidade dentro das favelas precisa ser mudada.

O assunto entrou em pauta quando Pedro Bial falou sobre a prisão de Poze e do projeto de lei que ficou conhecido como Anti-Oruam, que tem como objetivo impedir que prefeituras usem recursos públicos para contratar artistas com repertórios que são considerados apologia ao crime. Ao ser questionado sobre o tema, o cantor respondeu de forma firme: “Essa lei tem cor, gênero e classe social. Se você não gosta do que eu canto, tá tudo bem. Mas eu não vou deixar de cantar minha realidade porque você quer. Se você quer que eu não cante o que eu canto, mude minha realidade“, disparou ele.

O funkeiro também refletiu sobre a diferença de como o assunto é tratado em filmes, novelas e músicas. “O que me intriga é: eu atuei numa novela das nove, chamada 'Amor de Mãe', fiz o papel de um traficante, e era considerado arte… Os roteiristas que escrevem novelas e filmes que retratam a vida do morador da favela fazem arte. Quando o MC canta, quando o funkeiro e favelado canta a realidade, é apologia ao crime. Isso é muito subjetivo, mano”, declarou.

Por fim, Cabelinho questionou quem são os responsáveis por rotular determinados conteúdos como apologia e criticou a falta de conexão dessas decisões com a realidade das periferias. “Quem define quem faz apologia ao crime ou não? Tipo, não sou eu nem você. É um desembargador, um juiz, um político que gosta de criminalizar o pobre, preto e favelado. É o político que não quer ver a gente bem“, apontou o artista.