O autor é contratado da TV Globo desde os anos 2000Reprodução/TV Globo

O autor Walcyr Carrasco marcou presença na Bienal do Livro do Rio de Janeiro como um dos participantes do painel “Páginas na Tela: Novelas”, voltado à discussão sobre os bastidores da teledramaturgia. Ao lado de outros nomes do gênero, o escritor da TV Globo falou sobre os caminhos criativos na criação de novelas e defendeu que as tramas vistas hoje na televisão são, na verdade, releituras de histórias antigas.
“Não temos histórias novas há muito tempo. Todas foram escritas no tempo dos xamãs e das lendas que eram contadas ao pé do fogo. A vilã clássica está na Bíblia, que é a mulher de Potifar. Ela se vinga do homem que não a quer. Isso está até hoje nas novelas”, explicou o dramaturgo.
Carrasco acredita que esse processo de repetição é natural e faz parte da essência das narrativas humanas. “Desde aquela época já se criavam as grandes estruturas e a gente só renova. Só repete. Só conta de outro jeito. Isso não é demérito, é bonito, porque a humanidade se renova. O encontro da mãe com o filho, por exemplo, é contado mil vezes, mas sempre emociona, desde que seja bem escrito e os atores sejam bons. Isso toca o coração”, comentou o autor, com mais de duas décadas dedicadas à televisão na Globo.
Durante sua participação, Walcyr também refletiu sobre os recursos usados para criar conexão com o público. “As novelas fazem as emoções fortes e até um pouco óbvias às vezes. Quanto mais claras elas são, o vermelho é vermelho, mais tocam o público. Acredito nas estruturas antigas. E os clássicos são clássicos”, disse.