Léo Picon já não assinava ctps e agora carimbou crachá de sócio oculto em processo trabalhista Foto: Reprodução/ Instagram
O influenciador queria que seu nome fosse retirado do processo movido por uma ex-funcionária da casa onde, segundo ela, trabalhou sem registro, com folgas precárias e salário pago por fora. Mas a Justiça já tinha entendido que, apesar de seu nome não constar oficialmente como sócio, ele agia como tal. Ou seja, era o famoso "sócio oculto", aquele que está por trás das decisões, mas fora dos papéis.
Na nova tentativa de escapar da cobrança, Leo alegou que a decisão que o envolveu no processo foi injusta e que o tribunal anterior deixou de responder questões importantes. O problema é que ele cometeu um erro considerado básico por quem acompanha a Justiça do Trabalho: não apresentou corretamente os trechos das decisões anteriores que sustentariam sua reclamação. É como se tivesse enviado um pedido incompleto, faltando os argumentos-chave. Resultado: o tribunal nem analisou o mérito do que ele dizia.
Além disso, como o processo já está em fase de cobrança, a única forma de reverter a decisão seria provar que houve uma violação clara da Constituição, o que também não aconteceu. Segundo o Tribunal, mesmo que houvesse algum erro, seria algo secundário, nada que justificasse rever todo o caso.
Outro detalhe importante: o tribunal reafirmou que está tudo certo com o juiz que usou a chamada "motivação por remissão", aquela prática em que o magistrado diz que concorda com a decisão anterior e apenas reforça os mesmos argumentos. Segundo o TST e até o Supremo Tribunal Federal, isso não fere o direito de defesa de ninguém. Pelo contrário: economiza tempo e mostra que a decisão está bem fundamentada.
No fim das contas, Léo Picon continua como responsável direto pela dívida com a ex-funcionária e terá que arcar com as consequências. A tentativa de se livrar da bronca não só falhou como ainda deixou claro que sua defesa tropeçou nas regras mais simples do processo. A Justiça foi firme: o recurso não tem nem como ser analisado, porque foi mal feito desde o começo.
A ironia é inevitável: Picon, que se posicionou publicamente contra a chamada "PEC do 6×1", que discute mudanças na jornada de trabalho, agora enfrenta acusações de ter colocado uma funcionária justamente nesse mesmo esquema, e sem carteira assinada. Após a repercussão da notícia, o influenciador se defendeu dizendo: "Em nenhum momento eu me coloquei contra o trabalhador. Em nenhum momento eu falei que sou a favor da escala 6×1. Eu falei que o que está escrito na PEC não é viável". Sobre o processo trabalhista, Picon afirmou: "Esse processo trabalhista ao qual se referem é uma ação em que a reclamante, que eu não conheço, envolveu indevidamente meu nome, pois nunca fui sócio ou administrei o estabelecimento em questão".

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