Fernando SchererReprodução/TV Brasil
De acordo com Scherer, a natação já não era mais um prazer para ele. "A depressão foi o start, porque quando eu paro de nadar, eu provavelmente já estava em depressão muito antes, enquanto eu nadava. Não, com certeza eu já estava em depressão desde 1999, 2000. Nadava por nadar e aí eu me atolava em outras fugas. Na época, claro que a bebida não era tão a válvula de escape, mas era compra. Aí era sexo, pornografia, aí eram outras coisas que não eram tão malefícios ao físico", lembrou ele.
Fernando também explicou que não recorria à bebida sempre, mas frisou que não era um hábito saudável. "Mas a bebida entrava, mas não diariamente, porque não dava. Entrava no sábado à tarde, para tirar o desgaste da semana e tomar um porre ali em casa, sozinho, depois ficar dormindo domingo inteiro, comer pipoca, comer uma pizza", disse.
"O problema não é o que você faz, é o porquê você faz o que você faz. Qual é o motivo que te leva a fazer? É uma fuga de uma dor? É uma fuga de uma existência, no caso de uma crise existencial, que foi a minha? Quem eu sou?", continuou.
O ex-atleta então lembrou que passou a se questionar bastante durante o enfrentamento da doença e que isso o ajudou a melhorar. "E aí, quando eu me questionei quem eu sou, eu falei: agora eu preciso descobrir isso. Claro. E aí eu fui em busca dessa desconstrução pra ir a fundo, a fundo, a fundo, a fundo. Desconstruiu tudo e eu cheguei à conclusão de que tudo que eu acreditei era uma grande mentira, uma grande ilusão. E que, nossa, era só viver tudo que eu vivi sem muito questionamento", contou.
"Tudo que eu questionava, nunca vou chegar às respostas. E parei de questionar. E quando eu parei de questionar, a mente aquietou. É, lógico. E no que a mente aquieta vira um silêncio. E nesse silêncio eu encontrei a paz. Na paz veio a plenitude. E dali eu entendi quem eu era", finalizou ele.

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