Calor favorece doenças como micoses, sarnas e a Dermatite Alérgica à Picada de PulgaFreepk

Temperaturas elevadas e maior umidade criam condições ideais para a proliferação de fungos, bactérias, pulgas e carrapatos. Nos períodos de calor, cresce significativamente o número de atendimentos veterinários relacionados a problemas de pele em cães e gatos. Dermatites, alergias e infecções cutâneas estão entre as queixas mais comuns nas clínicas.

O Brasil reúne cerca de 160,9 milhões de pets, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação, e as doenças dermatológicas figuram entre as principais causas de consulta veterinária. Muitas vezes, a coceira é interpretada como algo passageiro, mas pode ser o primeiro sinal de um quadro mais complexo.

O calor favorece doenças como micoses, sarnas e a Dermatite Alérgica à Picada de Pulga, conhecida como DAPP, uma das alergias mais frequentes em cães. Um único parasita pode desencadear reação intensa em animais sensíveis. A umidade prolongada na pele, seja por banhos mal secos ou pelo contato constante com ambientes úmidos, também facilita a multiplicação de microrganismos.

A médica veterinária Carla Perissé, especializada em dermatologia veterinária, afirma que coçar repetidamente não deve ser encarado como algo normal. “Coceira persistente é sempre um sinal de alerta. O animal pode estar desenvolvendo um processo alérgico, uma infecção fúngica, bacteriana ou até manifestando dor. Como eles não verbalizam o desconforto, a pele acaba sendo uma das principais formas de expressão do problema”, explica.
Médica veterinária Carla Perissé, especializada em dermatologia veterinária - Divulgação
Médica veterinária Carla Perissé, especializada em dermatologia veterináriaDivulgação


Segundo a especialista, o tutor deve observar mudanças de comportamento. “Quando o pet começa a se lamber de forma insistente, esfregar o corpo em móveis ou morder determinadas regiões, é importante investigar. Muitas vezes já existe inflamação instalada.”

Ela também chama atenção para os riscos da automedicação. “É muito comum o tutor recorrer a shampoos antissépticos ou pomadas indicadas por conhecidos. Isso pode mascarar os sintomas e atrasar o diagnóstico correto. Cada animal tem uma resposta individual, e o tratamento precisa ser direcionado.”

Estudos clínicos apontam que as dermatofitoses podem representar até 61,9 por cento das dermatopatias diagnosticadas em clínicas veterinárias, com maior incidência em períodos quentes e úmidos. Infecções secundárias também são frequentes quando a coceira provoca feridas abertas, criando porta de entrada para bactérias.

Carla reforça que a prevenção é contínua. “O controle de pulgas e carrapatos deve ser feito durante todo o ano, não apenas quando o problema aparece. Além disso, é fundamental secar bem o animal após o banho e manter o ambiente limpo e arejado.”

Ela acrescenta que alergias alimentares também podem se manifestar na pele. “Nem toda dermatite é causada por parasita. Às vezes é necessário fazer investigação mais aprofundada, com dieta de exclusão e exames complementares.”

A orientação é procurar avaliação veterinária ao perceber coceira diária, vermelhidão, falhas na pelagem, odor forte na pele ou surgimento de feridas. “Quanto antes o diagnóstico, mais simples e eficaz tende a ser o tratamento. Ignorar os sinais pode transformar um problema leve em um quadro doloroso e de difícil controle”, finaliza a especialista.

Em períodos de calor, atenção redobrada com a pele é essencial para garantir saúde e qualidade de vida aos pets.