Arte coluna Padre Omar 20 setembro 2025Arte Paulo Márcio
Em tempos de dúvidas, inquietações e escolhas difíceis, é natural buscarmos respostas claras e rápidas. No entanto, a vida cristã nos ensina que o discernimento espiritual não é um simples método lógico ou uma fórmula mágica. Ele é um caminho que exige escuta, sensibilidade e, acima de tudo, oração.
A oração é, nesse sentido, uma ajuda indispensável para discernir os caminhos de Deus em nossa vida. Mais do que uma prática devocional, ela é um encontro profundo com o Senhor. É por meio dela que falamos com Deus com a simplicidade e a confiança de quem conversa com um amigo verdadeiro.
Mas atenção: rezar não é repetir fórmulas automaticamente. A verdadeira oração nasce do coração, é espontânea, sincera e cheia de afeto. É abrir-se diante do Senhor com tudo o que somos — alegrias, dúvidas, medos e esperanças. É ser transparente com Deus, como um amigo é com o outro.
O discernimento, por sua vez, não busca uma certeza matemática. A vida humana é complexa, marcada por sentimentos, afetos e realidades que não cabem em fórmulas fixas. O apóstolo Paulo reconhecia essa tensão interior ao dizer: “Não faço o bem que quero, mas o mal que não quero” (Rm 7,19). Somos feitos de razão e emoção, de corpo e alma, e nossos desafios espirituais tocam profundamente o coração.
É por isso que o relacionamento com Deus precisa ser constante, íntimo, alimentado por uma oração verdadeira. Quando nos afastamos d’Ele, mesmo cercados de bens e oportunidades, algo em nós permanece insatisfeito. Há uma tristeza sutil que se instala, uma ausência que machuca.
Jesus, porém, jamais obriga ninguém a segui-lo. Ele propõe, convida, revela sua vontade com delicadeza, e nos deixa livres para responder. E essa liberdade é uma das maiores belezas da oração: ela nos permite escolher amá-lo, sem pressões, mas com total entrega. Mesmo quando nos distanciamos, Ele permanece à porta do nosso coração, esperando com paciência e amor.

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