Arte Coluna Padre Omar 23 Agosto 2025Arte Paulo Márcio

O Cristo Redentor, de braços abertos, é um ícone universal. Símbolo do Brasil, cartão-postal do Rio de Janeiro e Patrimônio da Humanidade. Mas o que muitos não sabem é que o Redentor não permanece distante, no alto do Corcovado: Ele desce a montanha, caminha conosco e se faz próximo dos mais pobres e esquecidos.
O Santuário Cristo Redentor realiza um trabalho incansável junto aos mais vulneráveis, tornando realidade o gesto de acolhimento que o monumento simboliza. Mais do que um assistencialismo provisório, trata-se de uma presença comprometida.
Vivemos, no entanto, um tempo em que o clamor dos pobres parece abafado. A sociedade valoriza cada vez mais o bem-estar imediato, enquanto silencia as vozes de quem sofre. Muitas vezes, tudo o que não se encaixa no padrão idealizado é colocado de lado. Exaltam-se aparências e conquistas, mas marginaliza-se aquilo que incomoda e denuncia a dor do mundo.
A realidade virtual, cada vez mais presente, confunde-se com a vida concreta. Os pobres acabam reduzidos a imagens que sensibilizam por alguns instantes nas notícias, mas que, quando se apresentam diante de nós, em carne e osso, muitas vezes são ignorados. A pressa, companheira cotidiana, rouba de nós o tempo de parar, escutar e cuidar.
Falar dos pobres pode facilmente cair na retórica ou na frieza dos números. Mas eles não são estatísticas: têm rosto, têm nome, têm história, coração e alma. São irmãos e irmãs com virtudes e fragilidades, como cada um de nós.
Que o nosso cuidado com os mais necessitados seja sempre iluminado pelo realismo do Evangelho. Partilhar não é simplesmente doar o que sobra, mas corresponder às necessidades reais do outro. Isso exige discernimento, guiado pelo Espírito Santo, para distinguir entre nossos desejos e as urgências dos irmãos. E, acima de tudo, aquilo de que mais precisam é da nossa humanidade: coração e braços abertos como o Cristo Redentor.