Arte coluna Fé no Rio 14 março 2026Arte Paulo Márcio

A Quaresma é um tempo privilegiado de renovação para cada um de nós. Mais do que um período marcado pela penitência, trata-se de uma verdadeira oportunidade de graça, na qual somos convidados a nos aproximar de Deus e a experimentar o seu amor misericordioso. Deus não nos olha com indiferença: Ele nos conhece pelo nome, cuida de cada um de nós e, sempre que nos afastamos, vem ao nosso encontro com ternura e compaixão.
Este é o tempo favorável para redescobrirmos práticas cristãs que nos conduzem novamente ao coração de Deus. Entre os muitos convites que a Quaresma nos dirige, um dos mais transformadores é o chamado ao perdão. Muitos sofrimentos e divisões podem ser evitados se o perdão e a misericórdia forem a marca de nossas atitudes cotidianas. Muitas feridas podem ser curadas e muitas relações restauradas se estivermos dispostos, com mais generosidade, a dar o primeiro passo na reconciliação.
Dentro da própria família, a falta de perdão frequentemente se torna um obstáculo ao amor verdadeiro. Não são poucos os laços rompidos entre irmãos, parentes e pessoas próximas que, incapazes de perdoar, permitem que o ressentimento se instale no coração. No entanto, esse desafio não se limita ao ambiente familiar: ele atravessa toda a vida social. Perdoar não é sinal de fraqueza, mas ao contrário, de grandeza; é um caminho de libertação interior e de verdadeira paz.
As práticas quaresmais, a oração, o jejum e a caridade, nos ajudam a compreender mais profundamente o sentido das palavras que repetimos na oração do Pai-Nosso: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.” Nelas está contida uma verdade essencial: não podemos pedir o perdão de Deus se não estivermos dispostos a oferecer perdão ao nosso próximo.
Que neste tempo de Quaresma possamos abrir o coração à misericórdia de Deus e deixar que ela transforme também as nossas relações. Ao praticarmos o perdão, tornamo-nos instrumentos de reconciliação, testemunhas do amor de Deus e construtores de uma sociedade mais fraterna.