Arte coluna Fé no Rio 21 fevereiro 2026Arte Paulo Márcio
Com a Quarta-feira de Cinzas iniciamos a Quaresma, tempo forte de oração, jejum e caridade. Somos convidados a voltar o coração para Deus e, ao mesmo tempo, a reconhecer Cristo presente nos mais pobres.
Há mais de sessenta anos, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil promove a Campanha da Fraternidade, um caminho pastoral que orienta a Igreja no Brasil a refletir e agir diante de realidades sociais concretas. Neste ano, a campanha dirige o olhar para a moradia, direito fundamental e condição indispensável para a dignidade humana.
A Quaresma é tempo de conversão. Preparando-nos para a Páscoa, somos chamados a transformar atitudes. Ao propor a reflexão sobre a falta de moradia digna, a Igreja nos convida a uma conversão pessoal e comunitária. Recordamos que Cristo assumiu plenamente a condição humana: nasceu sem ter onde se hospedar e afirmou não ter onde reclinar a cabeça. Sua identificação com os pobres nos interpela a sermos sinal de acolhimento e compromisso concreto.
Enquanto houver pessoas vivendo nas ruas, nossa missão não estará concluída. A falta de moradia não é um problema abstrato; ela se manifesta de forma dolorosa em nossa cidade, atingindo famílias inteiras e ferindo a dignidade de filhos de Deus.
A Campanha da Fraternidade nos chama a ir além de ações emergenciais — necessárias, sem dúvida — para assumir uma postura permanente de partilha e solidariedade. Não basta falar sobre a dura realidade das pessoas em situação de rua; é preciso rever nosso modo de viver a fé. Como ensina São Tiago, a fé sem obras é morta. Cuidar dos pobres não é opção secundária, mas parte essencial da missão cristã.
Que esta Quaresma nos ajude a passar de gestos pontuais a um compromisso social constante, no qual cada um de nós reconheça e sirva o próprio Cristo naqueles que não têm onde morar.

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