Arte coluna Padre Omar 24 janeiro 2026Arte Paulo Márcio

Hoje, a Igreja celebra a memória de São Francisco de Sales, cuja vida e testemunho atravessam os séculos. Em meio às guerras religiosas de seu tempo, quando não podia anunciar livremente a fé, encontrou um caminho criativo e corajoso: escrevia textos e os deixava sob as portas das casas durante a noite. Essa forma pacífica, paciente e persistente de comunicar levou o Papa Pio XI a proclamá-lo padroeiro dos jornalistas.
Mas o exemplo de São Francisco de Sales vai além do jornalismo profissional. Ele nos recorda algo essencial: comunicar é uma tarefa de todos.
Desde o início de seu pontificado, o Papa Leão XIV tem insistido na urgência de promover uma comunicação “desarmada e desarmante”, capaz de nos ajudar a olhar o outro sem preconceitos e com respeito. Comunicar não é vencer debates, impor ideias ou conquistar espaços, mas criar encontros.
Vivemos uma época profundamente marcada por transformações rápidas, inclusive no campo da comunicação, com o avanço da inteligência artificial e das novas tecnologias. Diante desse cenário, torna-se ainda mais urgente voltar às razões do coração, à centralidade das boas relações e à capacidade de nos aproximarmos uns dos outros, sem excluir ninguém.
No entanto, vemos com frequência o contrário acontecer. A comunicação, em vez de gerar esperança, muitas vezes espalha medo, desespero e preconceitos. Simplifica a realidade para provocar reações instintivas, usa a palavra como arma e, não raro, recorre à desinformação para inflamar ânimos, provocar divisões e ferir.
O Papa tem sido firme ao alertar para a necessidade de “desarmar” a comunicação, purificando-a da agressividade. Dos programas televisivos às disputas verbais nas mídias sociais, é evidente o risco de um modelo baseado na competição, na polarização e na manipulação da opinião pública.
Diante disso, o convite é claro e dirigido a todos nós: ser testemunhas e promotores de uma comunicação não hostil, que difunda uma cultura do cuidado, construa pontes e atravesse os muros — visíveis e invisíveis — do nosso tempo.