Arte coluna Padre Omar 07 fevereiro 2026Arte Paulo Márcio
Vivemos em um tempo marcado pelo excesso: de informações, de opiniões, de estímulos. Todos os dias somos atravessados por sentimentos, ideias e impulsos que disputam nossa atenção. Mas nem sempre paramos para nos perguntar: de onde vêm esses movimentos interiores? Para onde nos conduzem? É nesse contexto que o discernimento se torna não apenas importante, mas indispensável para quem deseja viver com sentido e profundidade.
O discernimento espiritual não acontece no barulho. Ele exige silêncio, escuta e um espaço interior disponível — espaço que a oração nos oferece. É na oração que aprendemos a distinguir o que vem de Deus daquilo que nasce de nossas inquietações, medos e desejos desordenados.
Rezar, nesse sentido, não é apenas repetir fórmulas. É colocar-se diante de Deus com simplicidade e confiança, como quem conversa com um amigo íntimo. Essa relação pessoal permite ir além de pensamentos superficiais e entrar em uma comunhão viva e afetiva com o Senhor, onde o coração também fala e aprende a escutar.
Os santos são testemunhas luminosas desse caminho. Em suas vidas, a familiaridade com Deus, cultivada na oração cotidiana, tornou-se critério seguro para compreender e acolher a Sua vontade. Eles nos ensinam que discernir não é buscar respostas mágicas ou certezas imediatas, mas permanecer em diálogo constante com Deus, abrindo o coração com sinceridade e disponibilidade.
Isso não significa que o discernimento seja simples ou automático. A vida humana é complexa, marcada por ambiguidades e lutas interiores. Muitas vezes gostaríamos de saber, com absoluta clareza, qual decisão tomar ou qual caminho seguir. No entanto, como recorda o apóstolo Paulo, também nós experimentamos essa tensão interior: “Não faço o bem que quero, mas o mal que não quero”. Essa luta revela que não somos apenas razão, mas seres profundamente afetivos, que precisam aprender a ordenar o coração.
Por isso, discernir exige sensibilidade e humildade. As aparências podem enganar, e nem tudo o que parece bom, de fato, conduz à vida plena. É a amizade com Deus, cultivada na oração, que pouco a pouco dissipa as dúvidas, ilumina as escolhas e nos dá paz para caminhar.

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