Arte coluna Fé no Rio_Padre Omar 31 janeiro 2026Arte Paulo Márcio
Rezar faz parte da vida de fé. No entanto, existe uma interrogação em torno da oração, nascida de uma experiência comum a todos nós: rezamos com fé, apresentamos nossos pedidos a Deus e, ainda assim, muitas vezes temos a sensação de que nossas preces não são atendidas, pois aquilo que suplicamos não se realiza como esperávamos.
Quando o motivo da oração é nobre, como a intercessão pela cura de um doente ou pelo fim de uma guerra, a ausência de uma resposta visível torna-se desanimadora. Afinal, se Deus é Pai, por que não nos ouve?
O Catecismo da Igreja Católica nos ajuda a iluminar essa questão ao advertir para o risco de não vivermos uma experiência autêntica de fé e transformarmos a nossa relação com Deus em algo mágico. A oração não é uma varinha mágica; é um diálogo com o Senhor.
De fato, ao rezar, podemos cair na tentação de não sermos nós a servir a Deus, mas de pretender que Ele nos sirva. Surge, então, uma oração marcada pela exigência, que não admite outro projeto senão o dos nossos próprios desejos.
Jesus revela grande sabedoria ao ensinar o Pai-Nosso. Trata-se de uma oração feita de pedidos; contudo, os primeiros não dizem respeito às nossas vontades, mas à vontade de Deus. Pedimos que não seja realizado o nosso desejo, mas a sua vontade para o mundo.
O apóstolo Paulo nos recorda que nem sequer sabemos o que é conveniente pedir. Rezamos a partir de nossas necessidades, carências e desejos, mas nem sempre somos capazes de discernir se aquilo que solicitamos é, de fato, o melhor. Por isso, a oração exige uma atitude fundamental: a humildade.
Aprendamos, assim, a paciência humilde de esperar a graça do Senhor, confiantes de que Ele escuta sempre — ainda que a sua resposta não corresponda imediatamente às nossas expectativas.

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