No domingo, a Igreja celebra o Dia dos Avós e dos Idosos. Em uma sociedade que valoriza a juventude, a produtividade e a velocidade, falar da velhice tornou-se um desafio. Muitos a enxergam como uma fase de perdas, limitações e dependência, quase como uma doença da qual se deseja manter distância.
Essa é a lógica da chamada cultura do descarte. Ela nos faz acreditar que existem pessoas úteis e outras que já não têm mais nada a oferecer. No entanto, a Sagrada Escritura nos ensina que uma vida longa é uma bênção.
Os cabelos brancos são motivo de honra, expressão de uma história vivida e de uma sabedoria adquirida ao longo dos anos. Os idosos não são um problema a ser resolvido, mas um patrimônio humano e espiritual que precisa ser acolhido.
É verdade que envelhecer não é fácil. O corpo já não responde como antes; surgem limitações, despedidas e incertezas. Ninguém se prepara plenamente para essa etapa da vida. Alguns procuram esconder os sinais do tempo, como se fosse possível permanecer sempre jovem. Outros se deixam vencer pelo desânimo, acreditando que já não têm mais frutos a oferecer.
Entretanto, a fé nos ensina que a velhice não é uma condenação, mas um dom. É o tempo em que a vida revela seu verdadeiro sentido, quando a experiência amadurecida pode iluminar os mais jovens e o coração se abre ainda mais para Deus.
Por isso, somos chamados a viver uma velhice espiritualmente fecunda. Alimentar-se diariamente da Palavra de Deus, perseverar na oração, participar dos sacramentos e da liturgia fortalece o coração e renova a esperança. Ao mesmo tempo, é essencial cultivar os vínculos familiares e de amizade, dedicando tempo a todos aqueles que Deus coloca em nosso caminho.
Envelhecer é um privilégio concedido por Deus. Quando vivido com fé, amor e esperança, esse tempo torna-se um dos mais belos testemunhos de que a vida, em todas as suas etapas, é sempre um dom precioso.

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